quarta-feira, 2 de março de 2016

Trilha do Abraão para Lopes Mendes

Areia branquinha, uma recompensa após a trilha de dificuldade média

O café da manhã no hostel começa às 8h. Achei tarde, levando-se em consideração que muitos dos passeios são de barco e saem entre 9h e 10h. Eu pelo menos gosto de comer com calma, ok, tudo é perto na vila, mas mesmo assim, acho que poderia começar às 7h. E não só eu tenho esta opinião, logo na primeira manhã, acordei bem cedo, tomei banho, besuntei-me de protetor solar,e fui até a janela para dar uma espiada e saber se as mesas estavam postas para o café. Ainda não, mas vi meia dúzia de gringos vagando perto das mesas - rs - era até engraçada a cena, como aquelas abelhinhas em volta dos doces em padarias.

Às 8h em ponto fui para o desejum e logo puxei conversar com uma moça que estava sozinha e tinha visto na noite anterior. Audrey, francesa e, igualmente a mim, procurando companhia para algum passeio, Sugeri Lopes Mendes e ela topou.

Vista ainda na Vila do Abraão, prestes a iniciar a trilha até Lopes Mendes

É uma trilha de dificuldade média de uns 6 quilômetros no total, bem sinalizada e parece segura para ser realizada sozinha, pois sempre há pessoas indo em um ritmo mais rápido ou vindo. Como não havia chovido por aqueles dias estava ótima para o passeio, sem trechos escorregadios.

O único contratempo (nem tanto vai) foi que as sapatilhas, já velhinhas, logo no início descoloram as solas e não teve jeito. O engraçado foi o comentário da francesa ao me vir jogando-as no lixo: "é um belo lugar para morrer".

Uma das recordações que mais me avivavam antes de chegar à Ilha Grande eram as jacas. Durante anos afirmei que por ali existia a maior quantidade de jacas por metro quadrado do universo! Desta vez vi poucas... assim... poucas em relação ao que eu mesma esperava encontrar, inclusive na trilha Abraão - Lopes Mendes.

Mas voltemos à trilha... saindo do Abrão é só seguir as indicações. Depois de uns quilômetros de subidas e alguns declives chega-se à praia de Palmas, muito tranquila e bonita. Depois mais um trechinho até chegar à praia do Pouso, local de parada dos barcos e escunas, aonde desembarcam aqueles que fogem de andar à pé até ali ou simplesmente a salvação daqueles que, como eu, na volta queria era mais relaxar no passeio de barco. Da praia do Pouso até Lopes Mendes a trilha é mais tranquila e deve dar mais um quilômetro.

Enfim, Lopes Mendes, tida pelas revistas e sites especializados em turismo como uma das praias mais lindas do nosso litoral brasileiro. Devo confessar que não é à toa a menção: três quilômetros de areia branquinha banhada por águas cristalinas e cardumes de peixinhos que insistiam em transitar naquele pedacinho raso do encontro do mar com a areia.

Audrey e eu ficamos por ali revezando entre mar e sombrinha na areia... sim... há uma vastidão de árvores que presenteia os turistas com suas sombras. Mais à esquerda, para aqueles que não se importam em andar em algumas pedras, há uma pequena prainha praticamente deserta, já que poucos não se aventuram.

Também havia duas barraquinhas vendendo sanduíches naturais e bebidas, mas fui avisada que isso só acontece na alta temporada. Então, aviso importante: se você resolver visitar Lopes Mendes fora de temporada, garanta-se levando um lanchinho.

Aqui estávamos aguardando nossa embarcação para retornar à vila

Por volta das 16h  resolvemos voltar. Não sei de onde surgiu uma dorzinha chata no meu joelho esquerdo, o que dificultou um pouco a pequena trilha até a praia onde pegaríamos a escuna para voltar à Vila do Abraão. Foi isso também o que determinou meu passeio do dia seguinte, baseado no mínimo esforço possível: passeio de lancha :-)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ilha Grande... lá fui eu!!!

Vista da praia do Abraão


Eu sabia que deveria voltar à Ilha Grande. Estive lá há mais de dez anos, era carnaval e adorei o lugar, o ambiente, os turistas... enfim... o tipo de passeio que mais me agrada, estilo vilarejo, sem carros, pé na areia, terra e pedras...

E não é que deu certo de ter uns dias antes do carnaval deste ano para fazer algo legal. Meio sem grana e com tantos outros projetos rolando, pensei: "Ok, Ilha Grande é o destino da vez".

Após decidir o local, e que ficaria na Vila do Abraão, comecei a fazer as pesquisas sobre hospedagem e passeios. Na verdade a hospedagem já estava tendendo para a Pousada do Holandês, afiliado da HI Hostel, onde me hospedei da primeira vez e que me faz lembrar das tantas outras vezes que viajei sozinha pelo Brasil e no exterior também, sempre procurando as opções da rede. E valeu à pena, a pousada deu uma boa melhorada na infraestrutura sem perder o estilão descontraído.

Um dos chalés, no Holandês

E um mimo bem na minha porta, uma pitangueira carregadinha!


Se da outra vez soube que Ilha Grande é um dos destinos mais procurados por gringos, desta vez fui quase "engolida" por eles. Na minha percepção nada científica, calculei que em toda a ilha - que estava com capacidade quase lotada de turistas - de 60% a 70% eram estrangeiros, já na pousada em que fiquei, acho que eu era a única hóspede brasileira e, claro, me esbaldei com isso - rs.

No primeiro dia, cheguei, fiz o check in, tomei um bom banho e fui almoçar e fazer o "reconhecimento do local", para ter ideia de preços nos passeios e definir como seriam os próximos dias. É importante deixar claro a quem nunca foi à Ilha Grande, que a ilha realmente é grande, e sendo rústica, só tem dois tipos de passeios: trilhas ou de barcos. Por isso, é essencial estar preparado para andar muito e não ter propensão a enjoos no mar.

Estava faminta, e sai do hostel em busca de um restaurante por quilo, encontrei o Bier Garten, Achei o preço justo pelo ambiente e qualidade, pois tratando-se da ilha, são poucas as opções por quilo. Depois fui sondar as agências e, como era de se esperar, lá foi instalado um pequeno cartel: todos os preços são iguais, a única variação fica por conta de se o pagamento for em dinheiro ou cartão de crédito, daí, a diferença ficará de R$ 5 a R$ 10. Não, lá o código do consumidor de nada serve, e se quiser, é assim.

Andando pela Vila do Abraão pude rememorar quando a conheci, as ruelas sem asfalto, a igrejinha dividindo espaço com restaurantes e lojinhas de souvenires. Tomei meu sorvete ao lado do cais e segui para a praia da Areia Preta, fazendo uma breve parada pano museu para ver alguns curiosidades das biodiversidade da ilha e uma pequena exposição de fotografias. Tudo foi muito peculiar, pois há dez anos, o tempo estava fechado e não consegui curtir um final de tarde como aquele.


O centrinho comercial que divide espaço com a igreja... 
... de São Sebastião


Voltei para o Holandês e estava escuro, mas nem foi necessário utilizar lanterna (!?), tomei outro banho e fui para cozinha fazer uma sopa de quinoa na esperança de trocar ideias com outros turistas sobre as opções de passeios e descolar companhia para o dia seguinte.

Não tive muito sucesso para a companhia! Rs.. falta de sorte talvez... as pessoas com quem conversei já tinham seus passeios comprados ou simplesmente iriam embora no dia seguinte. Mas a sopa ficou uma delícia.

Estava cansada da viagem e minha única pausa foi para os banhos e almoço... fui dormir. No café da manhã decidiria o que fazer, já tinha as informações básicas mesmos. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

E o que são três Soles?

Três Soles transformaram-se em a gota d'água para eu estourar com os desmandos de uma agência de viagens em Cusco.

Pois é, apesar de não ser uma marinheira de primeira viagem, em viagens, aconteceu que caí na lábia de uma agência e quase saí no prejuízo.

O caso ocorreu para irmos ao Lago Titicaca. Eu não tinha planejado muito o passeio, mas queria ir e, logo que chegamos em Cusco, o próprio taxista queria indicar passeios e agência, como os passeios eu já sabia mais ou menos como rolavam e estava tudo programado para Machupicchu, falei do Lago Titicaca. Foi a senha, imediatamente ele ligou para uma agência, e quando chegamos no hotel, uma senhora já nos aguardava para falar sobre.

Fizemos o check in e antes mesmo de irmos para o quarto lá estava ela explicando sobre o passeio. Disse-nos que tudo ficaria em S/ 300 por pessoa, ida e volta para Puno, traslados, passeios e todas as refeições, no lago inclusas. Falei que iríamos pensar e se fossemos fechar, ligaríamos.

E os dias se passaram e simplesmente não cotamos em outra agência ou pesquisamos de irmos por conta própria. Devido aos preços que víamos por Cusco, na véspera de ir para Machupicchu liguei para a pessoa e fechei o passeio, apesar de ela cobrar mais ainda para que tivéssemos todas as refeições incluídas.

Voltamos de Machupicchu e tudo corria bem, na hora determinada, uma moça nos buscou no hotel, levou-nos à rodoviária entregou-nos as passagens de ida e volta. Quando chegamos em Puno havia um senhor nos aguardando e fomos levados a um hotel onde esperaríamos que nos pegassem às 07h30.

Aí começou o problema, já passava das 08h30 e pela terceira vez perguntei ao recepcionista se não haviam esquecido de nós, ao que ele respondia que não, até que finalmente ele resolveu ligar para alguém e uns 10 minutos depois apareceu um outro homem para nos buscar de táxi, sim, haviam esquecido de nós e quase perdemos o passeio, já que as embarcações saem até as 9h da manhã. Tivemos que correr pelo cais para não perder o barco.

Tava tudo bem na ilha e descobrimos que o mesmo passeio que compramos lá em Cusco, ali, no porto, saia S/ 75 por pessoa... daí já começamos a pensar: "é saiu salgadinho o passeio", mas tudo bem, optamos por contratar uma agência pela comodidade, então, beleza.

Passou o primeiro dia tudo ok, no segundo, na hora do almoço tivemos que pagar, mas perguntamos se já não estava incluso, afinal eu paguei a mais para ter rodas as refeições. Pela segunda vez, pagamos.

Voltamos para Puno e nos levaram ao hotel. Ali paguei para tomar um banho, ok. Nosso ônibus de volta para Cusco era às 22h e fui perguntar à recepcionista quais eram os restaurantes por perto e que horas iriam nos levar à rodoviária, ao que ela respondeu que a qualquer momento poderíamos ir, que eles não se responsabilizavam por nada. Entrei em contato com a senhora que me vendeu o "pacote" e ela disse que não havia mais obrigações, que agora era por nossa conta, locomoção para rodoviária, transporte em Cusco, que não tínhamos mais direito à nada.

Indignada! Imagine, eu pago o dobro do que valia o passeio para ser "jogada", tipo "virem-se". Aquilo ficou me remoendo, claro que iria reclamar quando chegasse em Cusco.

Saímos do hotel, jantamos, pegamos um táxi à rodoviária e no horário pegamos nossos bilhetes e fomos embarcar e a atendente disse que não tínhamos pago o embarque e não poderíamos seguir. "Ãh, como assim, os bilhetes estão aqui", falei, ao que respondeu: "ok, é só ir ali e pagar S/ 1,50 por bilhete de taxa de embarque".

Três Soles! O que são S/ 3 perto dos S/ 650 que pagamos? Nada além da gota d'água. Nem dormi durante a viagem. Ao chegar em Cusco passei tudo para a tal agente e escrevi tudo o que aconteceu, item por item, expliquei que aquilo não era jeito de se trabalhar e que queria o dinheiro que paguei a mais de volta, caso contrário iria denunciá-la na polícia à agência que regula o trabalho das agências de turismo, pois tinha o voucher, tinha a troca de mensagens, não queria os valores que foram gastos com passeio, passagens, queria o que me roubaram por não prestar o serviço!

Depois de várias trocas de mensagens ela apareceu no hotel e nos devolveu US$ 100.

Mas aqui fica o aviso, se forem logrados, não fiquem quietos. Busquem seus direitos. Todas as vezes que comprarem um passeio, peçam para especificar tudo o que está incluso no voucher, para ter provas do que foi acordado. Se houver problemas, em Cusco há várias viaturas da Polícia de Turismo para orientarem, e olha que conversei com eles depois e eles disseram que é muito comum as agências enganarem os turistas e, a maneira mais eficiente de puni-las é denunciar à INDECOPI.

No último tour que comprei, presenciei outra coisa que considerei um abuso. Em um dos sítios arqueológicos que visitamos, o guia não esperou um casal. Ele chamou, chamou, não apareceu, formos embora! Assim, ele não estava preocupado sei lá... se o casal tinha despencado de alguma pedra (alias, coisa que não seria difícil), apenas seguiu em frente. Mais tarde o casal nos encontrou em outro ponto do passeio, tiveram que pagar um táxi para nos encontrar e pegar suas bagagens.

No aeroporto você pode até pegar um guia do INDECOPI que explica os direitos dos consumidores. Mas se não tiver acesso, anotem www.indecopi.gob.pe

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Cardápio peruano

Llomo saltado... ah... já sinto saudade!


Estou longe de ser crítica gastronômica ou mesmo uma boa gourmet, anos-luz diria, mas, senti-me na obrigação de falar sobre a comida peruana.

Antes de ir para o Peru, as referência que tinha sobre o cardápio era: pisco (bebida alcoólica típica do Peru), pisco sauer (com limão, até lembra a caipirinha, mas mais suave), milho preto e civita (com peixe cru, como, mas não morro de amores), mais nada. Ainda em Lima, quando escolhíamos o restaurante, observei que nos menus havia muito "pollo na plancha" e "pollo na brasa", logo pensei: "deve ser a comida típica, não vou comer quase nada, já que não como frango (pollo)".

Pechuga (peito) de pollo com champinhones e tocino

Pollo na brasa, ao fundo,
 llomo saltado
Kkkkkk, Sandrinha ingênua... logo no primeiro almoço fui apresentada ao llomo saltado, que arrebatou meu coração! O prato consiste em batatas fritas, fatias de carne bovina entre fatias de cebolas e tomates embebidas em um molho e uma porção de arroz. O arroz não é grande coisa, mas as batatas (papas) são saborosíssimas e aquele molho? Meu Deus é algum tipo de droga viciante? Comi até as cebolas e tomates, coisa que normalmente não acontece.

Costumo dizer que comer em um lugar que não conheço quando estou com muita fome não dá pra ter certeza se a comida é boa ou não, afinal, estou com fome e para saciá-la, normalmente, qualquer coisinha mais ou menos fica boa. Junte-se à isso a minha fama de "enjoadinha"... "só come arroz, feijão, bife e batata"... mas, se você está em Cusco, andando o dia todo, quando vai comer, sempre estará com muita fome.

Mas além do llomo saltado, do pollo na plancha ou brasa existem as sopas. Como no final da tarde início da noite sempre é frio a sopa, para mim, era quase diária. E eles sabem fazer muito bem as sopas de legumes, só batatas, aspargos, espinafre, mas a campeã foi a de quinoa. Infelizmente o pão cusquenho tá muito longe de ser gostoso, então, depois que descobri uma padaria perto do mercado municipal, quando tinha tempo passava lá e comprava uns chiabattas e levava comigo até os restaurantes - rs - não estava nem aí mesmo.

Também achamos um restaurante indiano, o Maikhana, no final da El Sol, em uma galeria encostada com a Pizzaria Adriano, onde comi algumas vezes. Mas o achado mesmo foi nos últimos dias, quando mudamos de hotel, lá na calle Ricoleta, a Pizzaria Liberdad, o melhor custo benefício, cardápio saborosíssimo, melhor lasana e pizza (sim, eu comi muita massa também em Cusco)... ah... e o jarro de limonada boa por S/ 6,50.

As pizzas não são lá aquela coisa, mas dependendo de onde você está e a fome, vai pizza mesmo. Em Cusco, elas são quase equivalentes à nossa brotinho, a familiar seria uma brotinho e meio. A massa é sempre fina e os recheios não chegam nem à metade das nossas paulistanas (mas aí é covardia querer comparar, eu sei).


Na cara de pau eu levava o meu chiabatta para os restaurantes

Sem dúvidas, a melhor sopa de quinoa, a da Faustina, em Amantani
Mais uma sopinha



Que batata é essa? 

São vários os tipos, as cores, os tamanhos (pecado mortal, não consegui achar as fotos que tiramos das batatas no mercado municipal... nem mesmo as artificiais do museu). Elas são suculentas, saborosas, divinas!!! Assadas, fritas, ensopadas... comeria batatas o dia todo se deixassem.

Aqueles bolos são pimentões recheados e empanados com ovos,
ao centro as deliciosas papas e em destaque o pollo na plancha

Logo nas primeiras refeições, tive a impressão que os alimentos por ali são mais naturais. In natura, as frutas são pequenas, o que na minha ignorância gastronômica já remete aos orgânicos. De fato, comia, comia, comia feito a lhama quando chega no topo de Machupicchu e sentia-me satisfeita, não pesada, cheia ou enfastiada.

Como escolher e preços

O point central é a Plaza de Armas, então, conforme você vai andando por ali e de acordo com o horário, a cada metro você será abordado por gente vendendo passeios ou gente querendo te levar para os restaurantes (normalmente à noite) que ficam na própria praça ou na rua Plateiros. São muitos e na maioria deles tem um menu do lado de fora para você saber quais são as opções. Ali os preços são para turistas, então, na média, um llomo saltado vai ser uns S/ 30, as sopas uns S/ 20 e por ai vai. Quase todos eles têm um "menu turístico" que só mostram se você pedir ou fizer aquela cara de "nossa, como tá caro!", com preços melhores do que os apresentados inicialmente.

Este foi um almoço em Tequile, Lago Titicaca, com trutas pescadas na noite anterior

Este é um prato do bufê indiano


Lasana da Liberdad, recomendo muuuiiito

Prato do bufê do tour para Vale Sagrado, dá uma olhada no tamanho do milho

Ainda bufê do Vale Sagrado

Pizza da Liberdad


Sobremesa no Adriano
Ainda na Plaza de Armas, também tem uma lanchonete que considerei a melhorzinha, para quem quer alguma coisa rápida, como um hambúrguer, o Yajúú. Os hambúrgueres são bons e em pães como os que conhecemos - prestem atenção, eles chamam de hamburguesas, mas na maioria dos locais é servido com o pão cusquenho que não é bom, é duro e quase oco - média de S/ 12,90 com direito a um suco natural e bem gostoso. Também servem a salchipapas (famoso fastfood local que nada mais é do que fritas com salsichas fatiadas) por S/ 8,90.

Mas para quem aguentar andar um pouquinho mais, não estiver muito à noite, e está em busca de preços melhores, vá até a Plaza San Francisco, na rua Santa Clara há muitos restaurantes a preços populares. Os pollos na brasa começam com preços de S/ 6,50 em diante para se ter ideia. Nesta rua, só não gostei do restaurante chinês, esqueci o nome, mas só tem ele nesta rua, mas na Plateiros tem outra filial.


Exemplar de salchipapas...



... e de um hambúrguer com pão decente


Para quem quiser provar e comprar café de qualidade, moído na hora é na "La Cafeteria Cusqueño Cafeteria-Chocolateria". Ali também tem chocolate peruano. O dono, sr. Herber, uma simpatia.

E bolo que eles chamam de torta

Seguindo ainda na rua Santa Clara chega-se ao mercado municipal, onde há de lembrancinhas às comidas, inclusive muita carne (de todos os tipos) em exposição que jamais a vigilância sanitária aceitaria, mas tudo bem, é no Peru. Mas acho que é um passeio também muito interessante, já que muitos cusquenhos fazem suas compras por ali

Praticamente todos os restaurantes, bares e restaurantes tem wi fi, então fica muito fácil comunicar-se com o mundo.


Meu Top 5
Llomo saltado - Bar Azteca, rua Plateiros quase esquina com rua Tigre
Pizza e lasanha - Pizzaria Liberdad - rua Recoleta com a Pantac - só abre depois das 17h
Sopa de quinoa - casa de Faustina, em Amantani, ilha do Lago Titicaca - rs
Pratos em geral, típicos peruanos e sopas - Adriano - El Sol com Mantas, é de esquina
Salsipapas e hambúrgueres - Yajúú - Plaza de Armas


Cafés e chocolates
Outros recomendados 
Maikhana - indiano com bufê a S/ 15 - na galeria da El Sol, perto do Adriano
La cafeteria el cusquenho - na rua Concdvidayoc
Doceria - na esquina da Maques com Heladeiros, não tirei fotos, mas tem doces muito bons a S/ 5 ou S/ 6. E bolos são chamados de tortas.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Vale Sagrado - Pisaq, Ollantaytambo e Chinchero

Ollantaytambo, ouso dizer que depois de MP foi o sítio que mais gostei
Após a experiência no Lago Titicaca, voltamos para Cusco para finalizar os passeios do boleto turístico (ele é válido para dez dias, então, tem que prestar muita atenção porque os dias passam voando), e o objetivo era o Vale Sagrado.

A geografia e a engenharia realmente deixaram a paisagem linda...

... mas a busca por alguns "ouros" decepcinou


O passeio começa por Pisaq, um sítio arqueológico bem estruturado ainda, com casas até o topo e, do lado direito, o que seria o cemitério do povo inka que, segundo o guia, todo cheio de buracos por conta dos forasteiros que achavam que os corpos eram postos ali com algum tipo de joia, acontece que os moradores de Pisaq eram pobres, portanto, sem bens valiosos. Só ficaram os buracos.

Ollanta vista de cima

A próxima parada foi em Ollantayambo, que já havia admirado no outro dia em que "almojantei", enquanto esperava o horário do trem que nos levaria até Águas Calientes. A subida foi puxada, mas acho que já estávamos mais habituados à região, à altitude... eu fiquei impressionada com o nosso desempenho na subida. A vista do topo é impressionante. Do dia, foi o passeio que mais gostei.

O que deu para ver de Chinchero


Por último, já caindo a noite, conhecemos Chinchero que fora mais um palco de batalha entre inkas e espanhóis, O ponto tem uma vista linda, que infelizmente não pudemos admirar por completo devido ao horário e o guia ainda explicou que ali pode-se ver vários arcos-íris de uma só vez, o que também não presenciamos. Na verdade, fiquei um pouco irritada com este passeio porque já era tarde e pouco aproveitamos, cheguei a comentar com outros turistas que concordaram comigo.

Peruana "vendendo o seu peixe"

E amostras de sementes e ervas que dão as cores nas lãs

E antes do embarque no ônibus para a volta à Cusco ainda visitamos um centrinho de artesanato onde é explicado cada etapa para a confecção das roupas e artigos de lã de alpaca. As mulheres, devidamente trajadas, mostraram como lavam, colorem e tecem a lã.

O city tour vendido inclui visitas por Ollantayambo, Chinchero e Pisaq, e as agências tentam padronizar a venda por S/. 30, mas com paciência negocia-se por até a metade do valor. O tour dura o dia todo no meio do dia para em um bufê que custa mais S/. 25 por pessoa. Na rua há outras opções de restaurante, mas o tempo é limitado e você acaba meio que obrigado a comer por ali mesmo.


sábado, 30 de maio de 2015

Lago Titicaca, Uros e Amantani

Uros, a primeira ilha em que aportamos

A primeira vez que ouvi falar do Lago Titicaca eu trabalhava na Revista Kalunga. Era matéria do Pablo Villarrubia Mauso, freela, que rodava o mundo fazendo esse tipo artigo. Quando as fotos chegaram fui a primeira a ver (na época em que e-mail não fazia parte da nossa vida, era pelos Correios mesmo que chegavam as fotos - cromos - e eu, como secretária de redação, era quem recepcionava) e eram lindas, fascinantes e, para mim, algo tão distante da minha realidade.

Rs, é engraçado a minha percepção hoje, do que na época imaginava ser "algo distante da minha realidade". Pois sou da opinião de que tudo, absolutamente tudo nesta vida é possível, desde que realmente desejemos. No caso, não foi algo que desde aquela época sonhava em conhecer, mas, aconteceu de uma forma bem real. Anos depois de eu ver em primeira mão aquelas fotos incríveis... lá estava eu visitando o Lago Titicaca, pronta para uma experiência única: passar um final de semana com os peruanos, dormindo na casa deles, comendo da comida deles.

O ônibus de Cusco para Puno sai às 22h e tem duas companhias que fazem esse itinerário, a viagem dura aproximadamente 7 horas (sem parada) e preço da passagem S/ 80. As poltronas são semi-leito e bem confortáveis.

No porto, em Puno, pronta para a jornada
No meu caso, contratei uma agência de viagens em Cusco e, ao chegar na rodoviária, havia alguém nos esperando que nos levou até um hotel, e volta das 8h foram nos buscar para o porto, onde se iniciaria o passeio. Para quem vai por conta, na rodoviária tem várias pessoas abordando os turistas, o passeio de dois dias, uma noite em casa de nativos, jantar e café da manhã inclusos, sai ao preço de S/ 75.




Uros, ilhas flutuantes

Aqui, o presidente da ilha explicando o funcionamento
Chegamos ao porto e já fomos para o barco que nos aguardava com outros turistas. Depois de nos acomodarmos, o barco simplesmente não funcionou e trocamos de embarcação, quando finalmente começou nossa jornada, em que a primeira parada seria em uma ilha flutuante, denominada Uros.

O passeio pelo Lago Titicaca até chegar à ilha flutuante que nos aguardava durou umas duas horas e foi bem interessante saber que estava no lago navegável mais alto do mundo. É uma sensação do tipo: "Uau, estou fazendo algo diferente mesmo, é único no mundo!".

O guia explicou que na região existem mais de 80 ilhas daquelas, em que vivem de cinco a oito famílias que erguem, mantêm a ilha e ali vivem caçando, pescando, fazendo artesanato para vender aos turistas. Na verdade, essas ilhas vêm de uma cultura secular, tanto peruanos e bolivianos que vivem no lago as tem como forma de vida. Algumas ilhotas são específicas: só para escolas outras para lazer, por exemplo, com campo de futebol ou vôlei, que segundo a informação do presidente, é onde passam as folgas e socializam, conhecem seus pares etc.

Passeio na canoa feita de totora, S/ 10 

O artesanato é bem feito e ajuda a economia da pequena organização

Totora, com um molhinho até vai
Sim, cada ilha tem um presidente, e é ele quem determina se o local será aberto à visitação ou não. É importante dizer que a vida útil dessas ilhas é de 30 anos, e há um rodízio na presidência. Quando recebem turistas, ele é o encarregado de mostrar como são construídas com essa vegetação que nasce no lago, conhecida como totora. Com a totora faz-se de tudo, o piso, os barracos, artesanato, canoa e até mesmo serve como alimento. Eu provei e achei que tinha gosto de nada, tal qual como chuchu. Mas, se for para sobrevivência, numa necessidade, eu comeria.


Amatani, a experiência peruana


Pôr do sol no Santuário Pachatata

Aportamos em Amantani (ilha de verdade) por volta de 15h, e lá estavam o que seriam nossos anfitriões nos aguardando, devidamente vestidos para a ocasião (nos trajes típicos peruanos). Nós visitantes fomos distribuídos em até quatro pessoas por casa. Eu, Rohit e mais um casal belga fomos recepcionados por Faustina.

Ainda no barco, o guia passou as orientações básicas sobre o roteiro em Amantani: "Os horários para conhecermos a casa, o passeio, o jantar e o baile são rigorosos porque não há iluminação noturna, quem tiver lanterna irá usá-la no caminho. Na manhã seguinte também acordaremos bem cedo. Não há lugar para tomar banho e como o banheiro fica fora da casa, sempre haverá um penico embaixo da cama, no caso de uma necessidade noturna". Empolgada com a experiência, acho que não me atentei a alguns detalhes, e naquele momento pensei... ok, minha saúde higiênica será salva por lencinhos umedecidos e Trident. Por um final de semana, não será nada demais.

Subindo para Pachatata

Ao sermos apresentados aos nossos anfitriões já seguíamos para as casas para cumprimos o roteiro e, mais uma vez, andamos - rs - bem, trata-se de uma ilha montanhosa e acho que depois de tanto passeio de barco tinha me esquecido disso. É que os peruanos, já tão acostumados com a altitude e morros, andam rápido e todas as vezes que Faustina saia do caminho, à direita ou à esquerda, pensava: "Ufa, a casa está ali". Não, foram pelo menos uns quatro "ufas" até chegarmos.

A casa como era muito simples, como o esperado. Com dois pisos, embaixo onde vive a anfitriã e seu irmão (que não vimos) e deve ser composto por dois quartos, a escada de madeira e no estilo improvisada fica do lado de fora e vai para os dois quartos para hóspedes, a cozinha fica à parte da mesma forma que o banheiro que, na verdade, era só um cubículo com o vaso sanitário, nada de chuveiro, pia ou coisa do tipo.

Chegamos, guardamos nossas coisas, almoçamos uma deliciosa sopa, um prato de legumes (batatas! hummm) com chá natural e somos para o nosso local de encontro para fazermos mais uma trilha cujo auge seria admirar o pôr do sol no topo da ilha. Estava ansiosa.

O objetivo era chegar até o Santuário Pachatata, com a possibilidade de andar mais um pouquinho e antes passar por Pachamama. Mas gente, mesmo para quem está acostumado é puxado, e nos contentamos em andar no ritmo em que nos permitia contemplar toda a paisagem e vermos os suvenires que são vendidos ao longo do caminho- mais uma desculpa para retomar o fôlego - assim, chegamos em Pachatata a tempo de apreciar o pôr do sol. E compensou muito!

A volta, só descida, foi bem mais suave pois o caminho é bem feito com pedras, como se fosse uma calçada, o problema é que já estava escuro. Chegamos na casa, tomamos mais uma sopa com chá e Faustina nos explicou que tal qual em Uros, há um rodízio de recepção dos turistas, que os próximos que ela receberia em sua casa, só dali dois meses, nesse meio tempo, ela vivia de comercialização do artesanato que fazia - aquelas mercadorias que tanto vimos ao longo do trajeto para Pachatata.

Sem descanso, nos vestimos com os trajes e fomos ao baile!

Faustina e seus hóspedes que pagaram o mico do ano - rs
Adorei, dancei o que meu fôlego permitiu. O ritmo é intenso e acompanhar exige muito, mas acho que até me sai bem, porque os outros turistas chegaram a me aplaudir - rs. Senti até calor. Já mortos, voltamos à casa para dormir.

Quando me interessei pelo passeio, confesso que imaginei que a casa seria até mais rústica, mas no nosso quarto havia três camas no tamanho "viúva", um armário, uma pequena mesa e até uma lâmpada! De imediato achei que estava tudo muito bom, pois, como viajante já dormi em tantos lugares não apropriados, mas o fato é que não dormi bem por uma única razão, acho que a casa era inclinada, não havia jeito, eu deitava e dois minutos depois estava escorregando na cama. Daí, no meio da noite deu aquela vontade de ir ao banheiro e comecei a procurar embaixo da cama o tal penico... não tinha. Sair no meio da madrugada, naquela escuridão para ir ao banheiro foi difícil.


Taquile, outra ilha para visitar e almoçar

De Taquile, a vista do Lago Titicaca

Antes da 7h da manhã já tínhamos tomado café (tinha Nescafé! Achei o furo do passeio, até então tudo tão natureba e Nescafé? Como assim?) e estávamos caminhando rumo ao porto, pois agora visitaríamos a ilha de Taquile, onde almoçaríamos e voltaríamos a Puno.

Mais trilhas, andanças, mas tem uma ótima infraestrutura para quem não está lá muito acostumado a caminhas e paisagens belíssimas.

Apesar de tudo simples e rústico, achei as habitações bem distribuídas
Achei isto na praça central, meramente decorativo,
desde quando Nova Delhi e Rio de Janeiro estão na mesma direção?

Primeiro passamos pela praça central onde tem um mercado de artesanato e restaurante. Em seguida formos para o restaurante, onde alguns jovens peruanos já nos esperava para fazer apresentação de dança típica da agricultura e sobre como utilizavam a flora para a higiene. Também falou dos gorros dos rapazes: só vermelho, casado; duas cores, solteiro. No caso das moças era o tamanho do pompom da roupa, pompom grande, solteira; pompom menor, casada.

Apresentação folclórica...

... antes do nosso esperado almoço. A turma estava faminta!

Havia vários grupos de turistas. No meu grupo era bem divertido, eu era a única brasileira (o que não foi raro nos outros tours, sim, eu ouvia português quando andava pelas ruas em Cusco, mas nos tours que fiz, nunca encontrei outro brasileiro), tinha uma italianada alegre, suíços, canadenses (a maioria), estadunidense, neozelandeses e chilenos.

O almoço não estava incluso no pacote e foi S/ 20 por pessoa, mas valeu à pena. Depois, voltamos ao porto para a viagem de despedida ao Lago Titicaca.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Entre Machupicchu e Lago Titicaca, uma trégua

Águas Calientes é praticamente uma vila para hospedagem


Ao chegar em Águas Calientes, de fato, estávamos cansados e com fome depois de tanto subir e descer de pedras. Mas tínhamos um bom tempo de espera, já que nosso trem sairia apenas às 19h.
Se observar bem, a entrada
do hotel onde nos hospedamos

Como na véspera, quando chegamos, estava chovendo e à noite, não tínhamos muita noção do que é Águas Calientes. Então, apesar da fome, fomos procurar um restaurante com calma, para poder apreciar um pouco mais do que para mim parecia uma vila.

Muitos restaurantes e lojinhas que vendem os souvenires beirando a linha do trem. Alguns vira-latas enormes (já falei como esses cães são enormes por aqui?) e turistas, muitos turistas.

Seguindo meu pré-roteiro, voltando de Águas Calientes, reservamos um hotel só para passar a noite e, no dia seguinte, zanzaríamos sem compromisso por Cusco para à noite seguir para Puno, rumo ao Lago Titicaca.

O dia em Cusco foi sem muitas novidades. Como a reserva no Peruvian (um hotel mais barato, mas com cama e chuveiro quente, que era o necessário) era apenas por uma noite, logo cedo tivemos que fazer o check out e deixamos nossas mochilas no guarda-volumes do hotel e fomos andar pela cidade.

Saqsayhuamán por outro ângulo

Muito mais interessante passear com tempo

Do topo de Saqsayhuamán vê-se toda a cidade
Optamos por fazer o sítio arqueológico de Saqsayhuamán. De novo? É, de novo e sem perceber. É, já de para notar que os nomes são bem estranhos à nós, e quando tínhamos o dia livre em Cusco, decidimos fazer um dos passeios do boleto que ainda não estava picotado e desse para irmos à pé. E fomos. Entramos pelo parque, andamos, subimos as ruínas, quando descemos da primeira parte foi que reconhecemos o local. Havia sido o primeiro do tour! Sim, só que desta vez entramos por uma outra entrada e tivemos tempo para apreciar o local!

Seria pecado dizer que vale mais a trilha do que o Cristo?

Depois demos a volta e subimos o morro para conhecer o "Cristo Blanco". É, eles têm uma estátua de Cristo que fazem como ponto turístico. Em Cusco eles aproveitam de tudo para entreter turistas.

Jantamos e voltamos para o hotel para pegarmos nossas mochilas e seguir rumo à rodoviária e irmos para Puno.

Quando ainda estava no Hotel Taypikala, tentei fazer reserva no mesmo hotel para a volta do Lago Titicaca, mas foi impossível, não havia vagas e, conversando com um turista argentino que encontrei no primeiro tour, soube que ele passou pelo mesmo dilema e teve que se contentar com outro hotel. No nosso caso, estávamos priorizando uma viagem meio termo, com um mínimo de conforto, sem correrias e econômico, assim, escolhemos o Hotel Monarca, simples, com um café da manhã razoável, porém bem aconchegante e familiar. Adorei a recepção.

Simples, acolhedor e com pessoas extremamente gentis