segunda-feira, 11 de junho de 2018

Jalapão, uma escolha acertada

Entrado oficial do Parque
O Jalapão é bruto. A primeira vez que ouvi isso foi da Elisabete, do grupo da Atho, pois fazia bem pouco tempo que ela estivera por aquelas bandas e a Nany a indicou para algumas dicas. Depois, durante o passeio ouvi esta mesma frase muitas outras vezes.

Devo concordar que é bruto, mas não é nada do outro mundo. Na verdade diria que é um gigante bruto a ser lapidado. Apesar de que no capítulo de Largados e Pelados, em que o local é o Jalapão, os participantes desistiram!

Mas enfim, decidi ir para o Jalapão porque estaria vindo de um lugar frio, o Deserto do Atacama, e para dar uma temperada nas férias, nada como um lugar quentinho.

Lá é um destino que definitivamente jamais recomendaria ir sem contratar uma agência, e por vários motivos: é uma extensão territorial grande, pouca infraestrutura, estradas de terra e areia e sem iluminação ou sinalização, temperaturas bem altas... ir por conta só para quem queira sofrer mesmo e ainda arriscando detestar o passeio.

Dito isto, fui procurar uma agência. A Elisabete enviou uma planilha com várias e eu ainda achei outras pela internet. Devo ter entrado em contato com umas treze, até perceber ser quase impossível conseguir um passeio para a data que eu tinha, a semana de 13 a 19 de maio.

Aguardando o pôr do sol
Basicamente os passeios são oferecidos em pacotes de quatro, cinco e seis dias, com saídas de Palmas às quartas-feiras, sábados e domingos. Sendo ainda recomendado que quem venha de longe chegue um dia antes do passeio, já que se iniciam bem cedo.

Depois fui saber que muitas das agências não oferecem uma estrutura tão boa quanto a que contratei. Dei muita sorte, pois mais uma vez, não contratei por indicação ou avaliações, mas pela disponibilidade da data. Contratei a Jalapão 100 Limites que tinha uma saída no dia 14 de maio, segunda-feira, passeio de quatro dias. E pelo que entendi o passeio foi criado por haver um grupo grande de pessoas, mas que acabaram desistindo poucos dias antes. Resultado: consegui a data que queria e com um tour praticamente particular!!! Eita sorte!!!

Fechei o passeio de quatro dias e três noites, com tudo incluso: carro 4 x 4, guia/motorista, pousadas com ar-condicionado, refeições, petiscos e água durante as várias horas de estrada e entradas nos parques e fervedouros.

Estive nas dunas

Chegaria no final da tarde e queria um hostel, já que era apenas para pouso de uma noite. Ao que me parece, existem apenas dois hostels em toda a cidade de Palmas (a cidade e região é muito pouco explorada no quesito turismo), optei pelo Aconchego.

Pronto... vamos ver se esse Jalapão é bruto mesmo.

Uma noite em Palmas


Eu, Ariela e Romário, enquanto aguardava a agência para o meu passeio


Um dia antes de chegar em Palmas, entrei em contato com o Hostel Aconchego para saber como ir do aeroporto. Aproveitei para perguntar se havia outros hóspedes e se poderia me juntar à eles para fazer algo naquela noite, como jantar ou andar pela cidade. É, eu sei que sou meio cara de pau.

Cheguei ao aeroporto de Palmas não era 17h. Estava cedo e sempre que acho viável, em uma cidade que não conheço, gosto de pegar o transporte público para "sentir" a cidade, as pessoas. Acho que só entende isso quem observa os passageiros de um ônibus, as histórias que se ouve ou como se comportam. Nem cheguei a pesquisar quanto sairia um táxi ou Uber, simplesmente queria ir de ônibus. Pegaria um ônibus para a Estação Apinajé onde teria três opções.

O aeroporto de Palmas é bem pequeno, bonitinho, arrumadinho, mas pequeno, logo que sai avistei um ônibus e subi perguntando sobre a tal estação Apinajé, foi então que descobri que na verdade deveria pegar três ônibus e em cada um desembolsaria R$ 3,50 (achei caro por não ter uma integração, a única coisa que reduz este valor é se a pessoa comprar um bilhete específico que, claro, eu não sabia).

O ônibus praticamente só te tira do aeroporto, em um trajeto curto. Desci em uma praça, atravessei a rua e logo peguei um tal de Eixão que me levaria para a estação Apinajé. Juro, perguntei para o motorista ao entrar e para três passageiros, em momentos distintos, todos falavam que estava longe, uma até disse que desceria na estação e que avisaria. Adivinha? Ninguém falou nada, e quando desconfiei que nunca chegava, a quarta pessoa para quem perguntei, disse que já havia passado.

Fiquei revoltada pois jâ estava escurecendo! Mas resolvi que aquilo não influenciaria meu humor. Desci e chamei um Uber. Pronto, dez minutos depois e com pagamento menor do que R$ 10, resolvido o assunto.

No hostel fui recepcionada pela Ariela, uma moça de 20 e poucos anos com dreadlocks. Logo fui informada que havia dois hóspedes que estavam dispostos a sair comigo - rs - tá vendo, dá certo ter cara de pau!

Romário, de Atibaia (SP), estava em Palmas a quase uma semana. Achou passagens aéreas baratas e foi, acabou gostando de andar pela cidade. Maisa, de São Paulo, tinha acabado de chegar do passeio pelo Jalapão e ficaria mais dois dias. Tomei um banho e fomos para a feira do Bosque.

Foi a melhor coisa que fiz para o pouquíssimo tempo que tinha. A feira do Bosque fica no Plano Diretor Sul e não faço ideia se isso é uma região central ou de fácil acesso no geral... nada, só sei que de onde estava hospedada foi rápido. A feira tem várias barracas de comidas típicas regionais (de outras regiões inclusive) e artesanato local. Sim, com capim dourado, a matéria prima da região e que eu tanto queria trazer uma lembrança para a minha casa.

Comprei vários brincos, souvenires para a minha família e um relógio de parede. A-M-E-I. Além do mais, descobri na prática que na feira do Bosque, esses artesanatos são mais baratos do que os vendidos na região do Jalapão. Realmente fiquei sem entender, afinal, não vem de lá?

Acho que ficamos uma hora e meia por lá, pegamos um Uber para a vokta. No dia seguinte, meu passeio começaria cedo.

Jalapão, aí vou eu!

No dia seguinte acordei cedo, tomei um banho, fechei a mochila e fui para o café da manhã. Comecei a conversar com Ariela, a dona do hostel, Achei interessante uma moça tão jovem lidando com a casa. Ela explicou que o imóvel é dos pais e até o ano passado funcionava como pensionato. A ideia de hostel partiu dela, da época em que foi fazer faculdade em outro Estado e quando tinha folga passeava nos finais de semana se hospedando em hostels pelo Nordeste. Ela gostou das experiências e falou aos pais que "compraram" a ideia. Desde então ela toca o negócio.

Enfim... logo apareceu um moço em frente à casa, Casé, o guia que me levaria ao passeio de quatro dias e três noites pelo Jalapão. Passamos em outro hotel e entrou o Thiago, de São Paulo, estava formada a equipe. Em outras palavras, apenas nos dois de turistas... teríamos um tour praticamente exclusivo!!!


Cachoeiras Escorrega Macaco e Roncadeira e pôr do sol na Pedra Furada

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Meu pôr do sol rumo ao Jalapão


Ainda estava papeando com a Ariela quando apareceu um moço em frente à casa. Era Casé, o guia que me levaria ao passeio de quatro dias e três noites pelo Jalapão. Passamos em outro hotel e entrou o Thiago, de São Paulo, estava formada a equipe. Em outras palavras, apenas nos dois de turistas... teríamos um tour praticamente exclusivo!!!

A primeira parada foi em Taquaruçu, distrito vizinho a Palmas, que segundo os moradores é o paraíso da região, por contar com mais de 80 cachoeiras e trilhas a serem exploradas. Ali, visitamos duas cachoeiras, a Escorrega Macaco e a Roncadeira. Elas ficam em uma Área de Proteção Ambiental (APA) e dentro de uma propriedade privada, o que significa que é cobrada uma taxa para usufruir do local.

No quiosque onde é cobrada a entrada, fazemos o registro, tem um banheiro para o caso de troca de roupa de banho, bebidas e algum artesanato em capim dourado para quem quiser comprar. Andamos por uma trilha de 1500 metros bem sinalizada, então, se alguém quiser ir por conta, não tem perigo de se perder.

Escorrega Macaco

Cachoeira Escorrega Macaco
Achei linda a cachoeira! Os registros dizem que ela tem 50 metros de altura e que o nome se deve à vegetação de cipós onde os macacos seguram para, no caso, "escorregarem". Se eu fosse avaliar, diria que é uma cachoeira de tamanho médio, volume de água muito bom para a época do ano e com poços rasos, tudo em perfeita ordem para uma pessoa que tem medo de água como eu.

Ficamos mais tempo do que o normal se o passeio tivesse mais pessoas ou outras agências para disputar espaço. Não, não tinha quase ninguém em qualquer lugar que fossemos, sendo que em muitos deles, não havia ninguém mesmo. Comecei a desconfiar, e ao longo dos dias só me convenci, que fui na melhor época do ano para visitar o Jalapão: maio, onde é para ter água tinha em quantidade boa, ainda não chegara a temporada das queimadas tão comuns na região e poucos turistas, assim poderia aproveitar cada atração turística sem estresse.



Roncadeira

A poucos metros da Escorrega Macaco está a Roncadeira, cachoeira com 70 metros e base mais extensa, que começa bem rasinha e vai enchendo até dar para arriscar umas braçadas em determinado ponto. Para chegar embaixo da queda, tem um pequeno trecho que não dá pé, mas não chega a ser realmente funda.

Quando chegamos havia uma corda pendurada lá do topo. Ou seja, é local para a prática do rapel, mas devido à minha última experiência com a atividade, resolvi não fazer (faz mais ou menos um ano, fiquei presa pela canela, de ponta cabeça, na Cachoeira do Chá, em Botucatu-SP, a marca da corda em que fiquei presa está na minha perna até hoje).

Na Roncadeira, resisti ao rapel


Saindo das cachoeiras fomos almoçar. Um artesão fantasiado de duende pegou o Thiago para tentar convencê-lo de que tais seres existem ou qualquer coisa assim para vender seus duendes. Eu realmente admiro muito a paciência que pessoas educadas, como o Thiago, tem... eu não tenho paciência nem para atendente de telemarketing. Mas voltando ao almoço... foi bem servido e comecei minha jornada do suco de cajá: por onde passei, me entupi de suco de cajá. Amo.

Após o almoço pegamos estrada, início de longas horas dentro do carro, sendo a maioria por estradas de terra e areia, muita areia, exigindo da habilidade do condutor do carro. Chegamos à pousada,no município de Ponte Alta, nos instalamos e descansamos até dar o horário para a próxima atração.

Pedra Furada

Sem dúvida o pôr do sol mais esperado de todos os dias do passeio estaria ali na Pedra Furada. E confesso que durante o dia questionei-me sobre a sorte em vê-lo. todas as vezes que olhava para o céu sempre via muitas nuvens. A parte mais "tensa" da viagem.

Portal de um lado...

... ponto estratégico para observar o pôr do sol, do outro


Ao chegar, deixamos o carro na entrada e pegamos uma pequena trilha até o pé de um morro. Foi então que entendi que Pedra Furada é o nome que dão à um morro com dois acessos para subir, um para o portal e o outro onde há dois "furos", em ambos dá para tirar fotos incríveis com a luz do final da tarde e ponto perfeito para admirar o pôr do sol. Dali também avistamos dois outros morros, o do Chapéu e do Perdido.

Acho que dos quatro dias, e de todos os pontos que visitamos, este foi o com maior número de turistas, algo entre 20 ou 30 pessoas que se agruparam na ponta do rochedo e fizeram silêncio para acompanhar a descida do astro rei, até o horizonte ir ficando avermelhado. Eu e o Thiago chegamos a brincar com as formas das nuvens, o cenário do Senhor dos Anéis, depois o dragão, a bruxa, até finalmente tudo se perder.

E cansei de fotos certinhas


Fomos para a pousada, tomamos banho, jantamos (mais suco de cajá) e fomos para nossos quartos com ar-condicionado, nem acreditei.


Cânion de Sussuapara, Cachoeira da Velha, Rio Sono e Dunas

Cartão postal do Jalapão

Ao ir para o café da manhã, o Casé já estava voltando das compras: gelo, água, petiscos e frutas. Comi e bebi (mais suco de cajá) e seguimos viagem, a primeira parada do dia era no Cânion de Sussuapara. Sussuapara é uma espécie de veado que circula pela região, não vi nenhum nos quatro dias que lá fiquei, ao contrário das seriemas que cruzavam nosso caminho.

A parada foi no meio da estrada de terra. Tem uma placa indicando a entrada, então, até ali e fácil chegar. Iniciamos uma trilha curta e tranquila até chegar a descida, que tem um barranquinho, mas nada de extraordinário.

Cânion simpático e com água bem gostosa para beber

O cânion é formado inicialmente por um paredão e mais ao final da pequena trilha que leva até a minicachoeira (apenas uma pessoa por vez consegue entrar embaixo), aparece outro. Nesses paredões há uma vegetação que desce e se mistura com a água que verte das rochas. Água filtrada, não resisti e feito um cachorro que descobre a torneira do quintal aberta, lá fui eu beber. Diria que é um cânion pequeno e aconchegante, ali o sol não chega e a claridade não é das maiores, mas dá para curtir o local.

Cachoeira da Velha

Saímos do cânion rumo à Cachoeira da Velha. Das que vi nesta viagem, certamente foi a com o maior volume de água. Bem bonita, construíram uma passarela para observação. O nome deve-se à uma senhora que morava sozinha na região décadas atrás, uma hippie, quando resolveram estruturar para o turismo, ficou o nome.

Não dá para entrar no rio, mas rende boas fotos


Prainha do Rio Sono

Bem tranquila. Uma delícia para o banho, com parte rasa e outra nem tanto com a correnteza mais intensa. Água limpinha que dá para ver os peixinhos. Com areia à sua margem para descanso, prainha de verdade. Para chegar ao local tem uma escadaria e no meio dela que nosso lanche foi preparado.

Como estávamos só nós três, Casé resolveu preparar o pic-nic com outro guia que levava duas irmãs. O que foi bom, tivemos mais opções para o lanche, conversamos um pouco. As irmãs são mineiras e em outros pontos chegamos a nos encontrar novamente.

Saindo da Cachoeira da Velha rumo às dunas: estávamos oficialmente
entrando no Parque Estadual do Jalapão
Dunas

As agências fazem a programação de visitação às dunas para que os turistas possam admirar o pôr do sol. Apesar de ter feito um dia muito bom, havia muitas nuvens, e não, não houve o tal pôr do sol. Agradeci muito isso ter acontecido naquele dia e não no anterior - rs.

Não consigo resistir à essas fotinhos!!!
Acontece que o lugar é bonito do mesmo jeito e a luz do final da tarde contribuiu para o encanto de estar ali naquele momento. Acho que não visitei tantas dunas assim em minha vida para classificar entre grande, média ou pequena, o fato é que uma semana antes havia visitado o Valle de la Luna, no Chile, então, tamanho não me impressionou. O que não tirou o brilho do passeio, pisar na areia morna, olhar o horizonte de um lado e um oásis do outro.

Para chegar às dunas temos que passar por um trecho do riacho

Vista do alto das dunas

O único cuidado que deve-se ter é não pisar rente ao topo, evitando assim pequenos desmoronamentos das dunas, que tornaria uma infração com direito a pagamento de multa, tem até um fiscal para vigiar. Também foi um local que vi outros turistas.

Após as dunas, os passeios do dia haviam terminado. Fomos jantar em um restaurante na cidade de Mateiros. E resolvemos parar em uma loja que vende artesanato local. Eu e o Thiago estávamos à procura do nosso souvenir predileto em viagens: ímã de geladeira, que descobri quase não existir na região. Conseguimos comprar e fomos para a pousada.

Pablo Escobar, diz a lenda...

Ponto de apoio onde fazemos os registros de visitação

É algo recente, três décadas, por essa razão acho que podemos dar algum crédito à história que a população local conta.

Saindo do Cânion Sussuapara e indo para a Cachoeira da Velha, tem um ponto de apoio turístico que é uma fazenda. Segundo Casé, o que os locais contam é que aquela fazenda fora do traficante colombiano de drogas mais famoso e poderoso do final do século passado: Pablo Escobar.

O local onde registramos nossos nomes foi criado como um hotel e que nunca tivera sido utilizado como tal, apenas como fachada para o caso de lavagem de dinheiro. Andei um pouco pelos corredores abandonados para ver e sim, foram construídos com estrutura para quartos. Ao lado tem uma casa azul, não cheguei a ir lá, mas é onde teria sido a casa de Escobar por algum tempo. E quando saímos passamos pelo o que seria uma pista de pouso.

A casa azul foi a residência ...

... e o imóvel amarelo seria o "hotel"


Diz a lenda que ao chegar Escobar logo contratou lavradores para o que seria a plantação de jojoba. Na verdade maconha, e as folhas nem são parecidas, mas como as pessoas não tinham conhecimento de uma planta nem de outra, ok, era jojoba.

Como terminou o capítulo daquela história do traficante, não faço a menor ideia. Mas, para mim, faz todo o sentido: fica bem no centro do Brasil, local com extensão suficiente para uma boa plantação dessa erva que cresce como praga, alojamento e pista de pouso. E essa história vem sendo contada de um para outro, quem trabalhou na fazenda, hoje teria entre 45 e 70 anos. Se não para Escobar, no mínimo seria viável para outro traficante. Enfim... quem sou eu para contestar?

Fervedouro Buriti, Cachoeira da Formiga e Fervedouro Bela Vista à noite

Fervedouros exclusivos por contrato!

Enfim os fervedouros!

Quando escolho um destino, um dos principais fatores que o define é se verei algo inédito para mim, e o fervedouro teria esse ineditismo na viagem, por isso, tão esperado.

E o que é um fervedouro? É um local que concentra nascentes de água subterrâneas, tem uma espécie de "olho" de onde ferve ou brota a água, de vez em quando faz até barulho da bolha de ar que sobe até a superfície e estoura. Mas o mais incrível para mim é que você jamais afunda quando fica sobre esse olho. A pressão da água não deixa, fiquei bem no centro de vários deles, minhas pernas submergiam até os joelhos, mas não passava disso. Incrível e deliciosa experiência que, aliás tem nome: ressurgência!

Visitei o do Sono, da Ceiça, o Buriti e Buritizinho e por último o Bela Vista. Logo no primeiro, Casé deixou conosco uma câmera fotográfica e equipamentos para nossas fotos subaquáticas e se foi. Eu e o Thiago parecíamos duas crianças na piscina. Com água transparente e tão pura era possível abrir os olhos sem a menor irritação. Claro que eu com minha habilidade de nadadora só consegui fotos onde parecia mais um baiacu (me recuso a postar uma dessas fotos). Mas tudo bem, pelo menos me diverti.

Você jamais irá afundar em um fervedouro
A atração após o almoço seguimos para a Cachoeira da Formiga. Linda!!! Olha, é complicado eleger qual foi o lugar mais surpreendente ou encontrar adjetivos para eles. Enfim... fomos para a cachoeira que leva o nome do rio, Formiga.

O que impressiona é a limpidez e o volume de água na queda curta, difícil até de permanecer embaixo. O ponto escolhido para a estrutura de visitação foi bem na curva, montaram uma plataforma onde as pessoas podem entrar saltando. Mais uma vez parece uma piscinão onde a maior parte não dá pé, e conforme o curso do rio estreita colocaram um tronco de apoio e, metros a frente, outro local para banhar-se,  local para as crianças, pois é bem raso.

À noite fomos conhecer o fervedouro Bela Vista. Era também o local onde jataríamos. Segundo o guia, a Jalapão 100 Limites é, por contrato, a única agência autorizada a levar turistas ao banho noturno, além daqueles que se hospedam por ali.

Mais um só para mim


Planetário

Acho que Deus resolveu me recompensar pela frustração em não conseguir fazer o passeio astronômico no Deserto do Atacama e presenteou-me com um céu estreladíssimo naquela noite! Foi incrível parecia que haviam soltado fogos (sem o barulho) de tantas estrelas que podíamos ber a olho nu. Claro que pedimos para Casé parar o carro na estrada durante alguns minutos para podermos admirar, já que fotografar não rolava. Nunca, em toda a minha vida, vi um céu tão estrelado!


Fervedouro Bela Vista e Cachoeira das Araras

Apresentando o fervedouro Bela Vista

Amanheceu o que seria meu último dia no Jalapão. Foi a melhor noite e na melhor pousada, instalações novas... é, acho que fiquei mal acostumada neste passeio.

Na manhã seguinte, fomos novamente para o fervedouro Bela Vista, piscinão exclusivo. Deixei para falar sobre o Bela Vista neste último post porque ele realmente é especial. É o maior de todos os fervedouros abertos à visitação e também o mais bonito.

Na noite anterior, quando chegamos havia dois turistas que estavam hospedados na pousada do Bela Vista, conversamos um pouco, aproveitamos enquanto preparavam o jantar e só saímos do fervedouro quando fomos "expulsos" por duas cobras d'água". Sim, quando o um dos turistas viu a primeira delas, achou que fosse um pedaço de tronco, mas ficou na dúvida por estar à noite, próxima à vegetação... mas nos alertou. Minutos depois, nós quatro vimos as duas cobrinhas. Mesmo sendo inofensivas, não quis ficar mais na água.

Já nesta visita matinal, o fervedouro era todo nosso. Demos algumas braçadas, tiramos mais fotos e foi tudo muito relaxante. Confesso que quando tivemos que sair daquele fervedouro deu até um apertinho no coração... afinal... sinal de que meu passeio estava nos seus momentos finais.

Depois seguimos para a Cachoeira das Araras, destaque que a água ali não estava tão fria como costuma ser nas cachoeiras. Aproveitamos tudo o que podíamos nessa despedida, só não conseguimos ver as aves que dão o nome às quedas.

A volta

Mais ou menos meio-dia fomos para a fazendo onde nos serviriam o almoço. Estrutura bem simples, refeição ao ar livre, banheiro ao fundo e ao lado um quiosque com redes, para quem quisesse tirar um cochilo antes da partida. Tomamos banho, ajeitamos as malas e pegamos estrada. Mas antes fizemos uma parada no boteco à beira da estrada de terra para comprar um picolé de murici, fruta típica da região.

Cachoeira das Araras, último ponto de visitação
E depois de dias vendo seriemas cruzando nosso caminho, já havia perguntado se elas não voavam e a resposta foi afirmativa, que quando ficavam bem na frente dos carros, as aves ficam meio desorientadas, ameaçam ir para um lado, vão para o outro e quando não vêem mais alternativa, voam!! E não é que vi essa cena exatamente como ele descreveu!!! Achei o máximo. Pena que não consegui filmar, foi tudo muito rápido.

Paradinha estratégica no meio da estrada para fotografar
 tendo como cenário a "Catedral"

Uma hora, essa hora iria chegar: ir embora. Ahhh... como é difícil deixar um lugar que gostei tanto, mas isso faz parte da vida de um viajante. Bem, chegando em Palmas fiquei no aeroporto, pois meu voo seria de madrugada e nem compensaria ir para um hotel. Tchauzinho Palmas, tchauzinho Jalapão, tchauzinho Tocantis... quem sabe um dia eu volto!

No aeroporto de Palmas, pronta para dar
 tchau para essa terra que tanto gostei