terça-feira, 27 de novembro de 2018

Quarta - A trilha Boca da Onça


Eis aqui a cachoeira mais alta do Estado do MS: Boca da Onça.
 Alguém consegue ver a imagem da felina?


A lindíssima Cachoeira do Jaboti.
Gostaria de ter visto algum

Super indicado pelas irmãs que se hospedaram comigo, realmente, é um passeio imperdível para quem gosta de mato e cachoeira. A trilha em si não exige tanto de uma pessoa que de vez em quando faz uma caminhada por aí, o que pega mesmo é a escadaria de 886 degraus! E aí meu amigo, será da sua sorte ter que encará-la na ida ou na volta. Dei sorte de descer no início, mas confesso que fiquei com pena de quem teve que fazê-la ao final, já meio cansados - rs. Bem, além de trilha e escadaria tem as lindas e refrescantes cachoeiras, ao todo nove, porém, apenas quatro para banhos.

Cachoeira da Anta, mais um ponto para contemplar

Este foi o passeio onde obtive mais informações sobre a região, com as paradinhas e explicações do guia sobre a fauna e flora, frutos típicos e até indicações de onde saborear os pratos da Serra da Bodoquena. E por ser uma região em que o solo tem formação calcária sob a vegetação, me fez pensar sobre o quanto toda aquela estrutura aguentaria, lembrei até da Gruta Azul, que de repente pode sofrer algum tipo de erosão maior. E veio aquele momento egoísta "ainda bem que estou vivenciando tudo isso enquanto ainda está inteira".

Cachoeira do Fantasma, embora o guia tenha garantido
 jamais ter sido visto algum espectro por ali


A cachoeira que dá nome ao passeio tem 156 metros de altura e é a mais alta do Estado do Mato Grosso do Sul. As pessoas dizem que veem a figura de uma onça com a boca aberta, eu fiquei olhando um tempinho tentando achar, como não vi, achei mais interessante o banho, cronometrado, claro. Depois seguimos mais trilha e paradas para contemplação. O banho na Cachoeira da Lontra foi
Borboletas brancas me acompanharam quase todo o passeio
 o que mais gostei por ser bem aconchegante, mas necessário vestir o colete, pois perto da pedra são três metros de profundidade. Por último a cachoeira e poço do Buraco do Macaco, nove metro de queda. Bem legal também, passamos por "um pequeno túnel" embaixo das pedras para acessar um piscinão com vista, com direito a uma cordinha para nos guiar. Senti que a maioria dos turistas curtiram mais esse último banho. De maneira geral achei bem agradável a temperatura das águas durante o passeio, principalmente por serem cachoeiras esperava que fossem frias, não foram.

Minha cachoeira preferida do passeio: Poço da Lontra

Depois de mais trilha e a volta para o receptivo e o almoço. Dos almoços nas fazendas, acho que este foi o melhor. Pelo menos foi o que comi mais - rs - mas daí também veio aquela dúvida: "foi o melhor mesmo ou eu é quem estava com mais fome e ficou delicioso?"


A foto clássica logo no início do passeio
 (ou do final, depende da sua sorte -rs)
Se tivesse mais tempo, certamente iria para a piscina, pois ali tem duas à disposição dos visitantes, mas estava com uma leseira e pensei nos conselhos de mamis "não entrar na água de estômago cheio". Voltei para o hostel muuuuiiito cansada e feliz :-)

Nove metros de queda no Buraco do Macaco

Quinta - Flutuação Aquário Natural

Os cardumes chegam a se confundir

E eu que já tinha ficado encantada com a primeira flutuação, acordei eufórica e ansiosa tal qual uma criança sabendo que teria um passeio incrível no parque de diversões!!! E como foi incrível esse passeio, peixes por todo o lado.

Como da primeira vez, fizemos um pequeno treinamento na piscina, depois uma trilha. Ao chegar no ponto de partida, infelizmente um casal resolveu não fazer a flutuação. Fiquei pensando na intensidade da fobia dessas pessoas, pois haviam feito o treinamento e teoricamente, não haveria motivos para entrar em desespero dentro do rio. Bem, posso dizer que curti o passeio por todos eles.

Pena que o trajeto seja tão curto e dá aquela sensação de "quero muuuiiito mais", mas não tem como, né. Então fizemos mais um pouco de trilha para chegarmos a um ponto onde existe uma tirolesa... bem... mesmo com medinho... lá fui eu cair naquela água que estava longe de ser transparente - rs - mas fui e adorei.

E no meio do caminho havia um jacaré!
Na trilha de volta ainda pudemos ver pegadas de anta e um jacaré no seu banho de sol diário. No receptivo, comprei meu almoço e o fiz em companhia do casal Adriana e Marcelo e da CSI Paula.


Sexta - Boia Cross e muito tirolesa no Parque Ecológico


O lago com a tirolesa não tinha muitos turistas, aproveitei

O orçamento estava na ponta do lápis, então, apesar de ser um passeio de curta duração, naquele dia, optei por fazer apenas o boia-cross, no Parque Ecológico. E valeu muito à pena, imaginem, tinha tirolesa... u-huuu!!!

A minha classificação de aventura desse boia-cross é: tranquilíssimo. Gente, não dá nem para ter medo: nove turistas, dois guias, cordas de apoio em vários pontos e rio seguindo o fluxo em câmera lenta... uma delícia. Tinha um garotinho de uns seis ou sete anos, o pai era um rapaz de quase dois metros de altura e sarado, houve uma negociação para aprovar a descida do menino, mas o pai garantiu que o garoto estava acostumado com rios desde meses de idade e também sabia nadar, então foram. Juro, quem deu trabalho foi o pai, que de tão grande, mal coube na boia e se enroscava ou levava caldos a torto e a direita, enquanto o garoto só curtia.

Recomendo.


Após o meu bloqueio inicial da tirolesa no balneário que tive um dia todo para me esbaldar e fiz apenas dois saltos com muito incentivo da Camila, neste eu tirei o atraso, tanto que quase tiveram que me tirar a força do lago - rs - tantas foram as vezes que saltei, só que me cansei também, pois das três tirolesas da viagem, esta foi a mais longa e nadar no lago é "pesado". Posso garantir que a refeição naquele dia foi reforçada!

Sábado - Flutuação Rio da Prata e araras

Quase impossível não entrar em transe com
uma experiência dessas. Foto da CSI Paula

Nem é preciso dizer que estava apaixonada pela flutuação, a expectativa era alta  e não houve decepção nenhuma, só superação.

Por fazer parte do mesmo compartilhamento de van, a flutuação do Rio da Prata coincide com o do Buraco das Araras. Assim, o transporte faz a primeira parada para ver as araras para depois seguir para a fazenda da flutuação.

Sim, amo araras, mas tinha informações de quem tinha feito este passeio e as pessoas não se mostraram empolgadas. Contando minhas moedas, foi mais um passeio que passei a vez. Aguardei os que optaram por este passeio em um quiosque, próximo à recepção. Adorei ficar ali, tive a visita de um tatu, um teiu e várias lindas aves, além da prosa com o sr. Modesto, o dono da fazenda - rs.

Para minha surpresa, ao chegar à fazenda da flutuação, qual não foi a minha surpresa ao ser recepcionada por... araras, voando para lá e para cá, pousando nas árvores. Pronto, do meu jeito, também fiz meu passeio de contemplação de aves!!! Quase uma ornitóloga.

Ele ficou mais de meia hora voando a minha volta...

... até encorajar-se a comer na palma da minha mão

Um simpático tatu destemido

Esta é uma seriema

E a arara só me observando

Enquanto o touro Darin olha desconfiado

Neste passeio não houve o treinamento na piscina, para mim ok, mas acho que para aqueles cujo passeio era novidade, seria importante a adaptação. Ok, explicação sobre o passeio, troca de roupas, chuveirada e embarcar num pau de arara rumo à trilha.

A trilha em si é bem tranquila, plana e sem contratempos.

Já na flutuação, estava quase em transe, curtindo meu passeio, agradecendo ao Universo por toda a viagem, por todas as minhas experiências e, em especial, àquele momento... quando de repente o guia aponta para a margem do rio... distância de no máximo quatro metros... cena de "Largados & Pelados"... um jacaré com seu corpo inteiro dentro da água e só meia cabeça para fora. Com a água bem clarinha, estava bem ali, ao meu lado, no seu habitat natural, livre e pertinho de mim. Que emoção!

Além de flutuar ao lado de um jacaré, a outra experiência inédita neste passeio foi "entrar" em um olho 'água. Claro que com a ajuda do guia, os tímpanos quase explodiram, mas achei o máximo mergulhar aquilo. 

O único arrependimento que tive foi de não ter tido a vergonha na cara de ter comprado uma go pró. Deixei de registrar vários momentos aquáticos por conta disso. De resto. Amei tudo.

Dica de ouro para as meninas!!!

Antes da minha primeira flutuação.
 Já vestida com um macacão com mangas longas,
mas não cobria as pernas inteiras,
como em nenhum outro passeio do gênero
Pessoas!!! Tem uma coisa que nunca ouvi ninguém falar: reportagens e blogs de viagens, agências quando vendem os passeios ou guias. Nada e ninguém para avisar, principalmente nós meninas e vaidosas: cuidado para não "queimarem".

A questão é simples e óbvia, mas ninguém pensa ou avisa antes: se nas flutuações é proibido usarmos protetores solares para a maior preservação das águas límpidas (antes mesmo de entrarmos nos rios fazemos um mini treinamento em piscinas e tomamos duchas para tirarmos até o cloro) e flutuaremos com roupas de neopreme que invariavelmente são até a metade das coxas e algumas meia manga, braços e pernas tomarão sol, na maioria das vezes, muito sol.

E qual é a consequência disso? Só me dei conta da questão na trilha da Boca da Onça. Havia uma moça bem branquinha que estava de short e nas pernas tinha imensas tiras cor de rosa, uma em cada perna e apenas atrás. Não resisti e perguntei como acontecera aquilo, ao que respondeu "duas flutuações conscientes e sem protetor solar". Eu que iria fazer duas flutuações logo me preocupei.

Era meio óbvio, mas ninguém avisa, inclusive, os próprios guias só usam macacões compridos, mas para turistas não dão esta opção (eu perguntei). Então, minha dica de ouro desta vez é: quando forem para as flutuações, vistam uma calça leg por baixo. Acreditem, vai fazer toda a diferença!!!

- What time is it back?



Olhei para as pessoas que estavam dentro da van, e como ninguém se manifestou, respondi:

- "Will come back 4 p.m" Pronto, foi o que bastou para que alguns achassem que eu também fosse gringa - rs.

Era o passeio Boca da Onça, e o tal gringo, Martin, um alemão. Quando chegamos à fazenda onde faríamos o passeio, perguntei ao guia se ele falava inglês, ao que respondeu que muito pouco, que se eu pudesse ajudá-lo a passar algumas informações para o alemão, seria muito bom. Claro que o fiz, só achei estranho que em passeios tão caros pouquíssimos guias falem o básico de inglês para esse tipo de situação e mas principalmente porque eu, no lugar o gringo, ficaria muito grata pela ajuda.

Uma penca de bacuris

O grupo basicamente estava formado por casais e eu avulsa como Martin ficamos conversando durante a trilha, quando o guia parava para alguma informação, ele perguntava-me se tinha algo importante ou relevante e, se tivesse, dava o meu jeito de explicar. Coisas simples ou curiosas, como quando um teiú apareceu e o guia falou sobre a reação do bicho quando se sentia ameaçado. E a minha explicação "This animal is seems more lizard than aligator, because when feels dangerous its leave the tail" ou quando falou sobre o bacuri "Bacuri is a typical fruit in this land and a lot of people call it a nickname for the child, for exemple, when somebody ask you 'How many children do you have?' Here the ask wil be: 'How many bacuris do you have?'".

Depois da trilha fomos almoçar. Ele, como bom experimentador pediu um guaraná Antártica, mas quando viu que pedi suco de acerola, quis o dele e disse ter gostado muito. Depois ainda falou sobre os planos de continuar a viagem, passei algumas informações de lugares que talvez tivesse o perfil dele. Foi nesta hora que um casal se aproximou e a moça, meio tímida, disse que entendia o que ele falava, mas que não conseguia falar direito. Resolvi incentivar a comunicação. Pra dizer bem a verdade, não sou grande coisa no inglês, mas acho que ele estava no meu nível, por isso nos comunicamos bem, e até intermediei o pouco tempo que a moça falou.

Bem, mais uma viagem em que as pessoas me confundem com alguma turista estrangeira - rs - já estou até acostumando.

Ah... as pessoas em Bonito

As irmãs que me fizeram companhia nas primeiras noites

As primeiras pessoas com as quais interagi foram as irmãs Márcia e Marisa, do ABC, que estavam na mesma hospedagem e fomos jantar duas noites seguidas, sendo que na primeira refeição, provamos a piraputanga, peixe típico da região, no restaurante Aquário. Gostei bastante, um sabor bem marcante, talvez o tempero tenha ajudado, mas gostei mesmo.


Fazia uns dias que as irmãs estavam por ali e fizeram as recomendações de passeios e locais para comer. Agradeço imensamente sobre as dicas. Também teve a Naty, moradora de São Paulo, que ficou uma  noite a mais e que pudemos trocar algumas ideias.

Matheus e Camila... ah... e a arara!

Mas a primeira parceria (pode soar estranho falar assim de uma pessoa que vimos apenas algumas horas, mas é o que chamo de "encontro de almas", tinha que ser aquilo com aquelas pessoas) foi com a baiana Camila e seu filhote Matheus, de apenas sete anos, no balneário. Camila é uma pessoa livre e responsável, cheia de energia e muito positiva. Foi um dia ótimo!

Outro "encontro" foi com o casal Adriana e Marcelo, de São Paulo. Fizemos dois passeios juntos (apesar de eu saber disso somente no segundo - rs) e subimos para a praça duas noites, como éramos vizinhos de hospedagem, fizeram minha escolta. Provamos o tal sorvete assado e tivemos ótimas conversas. E aos quais peço desculpas por não ter uma foto nossa... pois é, a perfeita seria do nosso almoço com a Paula, mas não tiramos nenhuma.
Sr. Modesto, o proprietário do Buraco das Araras,
 passeio que não fiz, mas o prosa foi tão boa que entrou para
o meu hall de companhia de viagem



Para encerrar os passeios, o último foi com a CSI Paula, do Rio de Janeiro. Havíamos almoçado juntas com o casal, mas batemos papo mesmo a caminho do Rio da Prata e temos muitas informações sobre viagens ainda a serem trocadas!

CSI Paula, a quem devo agradecer as fotos aquáticas. Belo ângulo - rs

Agradecimentos eternos por vocês fazerem minha experiência melhor!!!