domingo, 22 de setembro de 2019

Julian, Las Vegas e Joshua Tree Park

A decoração do Bellagio é sempre irresistível

Estive nos Estados Unidos em fevereiro desde ano. Fui para Las Vegas, Los Angeles e San Diego, passando pelo Deserto de Mojave para o Joshua Tree Park que estava fechado por causa do tempo, novidade mesmo foi pegar neve em Julian, sul da Califórnia, que não estava nos planos.

Até curto um friozinho, desde que esteja devidamente agasalhada, comidinhas propícias e ambiente com aquecedor etc. Mas muuuiito frio não, o que me faz ter pouca tolerância a lugares com neve. Pode até ser por falta do hábito mesmo, é verdade, já que nunca passei mais do que dois dias consecutivos em um lugar assim. Acho legal ver, sentir, conhecer... mas ficar por muitos dias, tenho sérias dúvidas se iria curtir.
Aqui é só o início da neve, a rua ficou branca em poucas horas
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A passagem de uma tarde por Julian foi bem interessante. Para atrair turistas, existe até um site visitjulian.com/julian-ca-webcam/ com câmera ao vivo, e como é o único lugar do sul da CA a nevar, é só ficar de olho: "nevou, a vizinhança corre pra lá", de verdade.

Não lembro bem qual foi a época do ano, mas a primeira lembrança que vinha à cabeça quando falava da cidade era da paisagem na estrada a caminho, com muita neblina entre árvores desfolhadas e casinhas ao fundo, dignos de um cenário para filmes de Tim Burton!

Julian parece ter sido feita para isso: almoço em algum restaurante e sobremesa em alguma loja de tortas, mas quando neva, congestiona a estrada. Almocei no Miner's Diner & Soda Fountain, hambúrguer típico, mas o legal é a decoração vintage e com direito a um trenzinho que circula pelo alto.

Beijo do amigo urso
A decoração da Miner's é uma atração


Estando em San Diego ou Los Angeles, vale à pena programar uma visitinha,

O ano do porco no horóscopo chinês e em Vegas!



Sou porco no horóscopo chinês

Apesar de ter perdido as contas de quantas vezes estive por lá, Vegas é sempre Vegas! Perco a noção do tempo olhando a dança das águas na fonte do Bellagio e nesta visita, a decoração do saguão do hotel foi muito especial para mim: comemoração da chegada do ano do porco, na cultura chinesa. Então... sou porco no horóscopo chinês... nem amei!

O investimento no tema não foi exclusivo do Bellagio, vi outros hotéis também apostando nele. Talvez o interesse seja providencial, de uns anos para cá tenho notado cada vez mais grupos de chineses circulando pelo condado.

Aproveitei para fotografar.



Joshua Tree


Um típico exemplar da árvore de Josué

Quem é fâ sabe que a icônica árvore de Josué que estampa a contracapa do disco do U2 homônimo não existe mais, mas é bem legal a passagem pelo trecho onde há milhares delas, quando atravessamos o Deserto de Mojave.

Tentar eu tentei, mas não entrei no parque


The Joshua Tree and me!





Confesso que foi meio frustrante não conseguir o carimbo no meu passaporte de trilhas dos Estados Unidos (ando meio nostálgica com esse negócio de carimbos...), pois o Joshua Tree Park estava fechado em função do clima. Mesmo assim tirei algumas fotos das lendárias árvores, só para referenciar o álbum com o qual apaixonei-me pela banda.












Los Angeles

Impossível estar em LA e não visitar meu amigo Einstein

Se eu for à Los Angeles é óbvio que terei que ir ao meu lugar favorito: Griffith Park. Andar pelos corredores do museu, observar o céu (nem sempre estrelado) e sentar-me ao lado do meu amigo Einstein.

Só que agora mudou o esquema para subir. Antes era fácil ir de carro até o topo e estacionar na faixa por lá, Agora não, você até pode estacionar mais próximo, pagando o estacionamento, mas não compensa por ficar muito distante. Mas também é simples estacionar lá embaixo e pegar um ônibus pagando US$ 2. Prático e fácil.

De pertinho



Para não dizer que não fiz nada de inédito em LA, fui ao ponto de observação de pousos de avões em LAX.


Transfer da Azul (originalmente escrita em 2016)

Acho interessante, serviço de utilidade pública mesmo esclarecer o serviço de traslado que a Azul oferece para o Aeroporto de Viracopos.

Eu não conhecia o aeroporto de Viracopos e fiquei encantada. Muito bonito, amplo, limpo, coisa de primeiro mundo. Mas acho que vou guardar meus comentários para um texto que pretendo escrever somente sobre aeroportos. Bem, o fato é que a "base" se é que podemos falar assim, da Azul, fica em Viracopos, e tal qual o aeroporto, eu também não conhecia os serviços da companhia aérea e gostei muito.

Eu particularmente não gosto muito de Guarulhos, mesmo com o terminal 3, que é novo, ainda assim, existe, digamos, um ranço. Acho longe de tudo, movimentadíssimo e trasporte muito caro, seja estacionamento, táxi ou o Bus Service que atende São Paulo. Daí, resolvi experimentar a Azul e conhecer Viracopos.

A Azul, tendo a maioria dos seus voos partindo de Campinas, teve uma sacada genial: "traslado para alguns pontos estratégicos". Então, partindo de Viracopos, o passageiro Azul, pode gratuitamente ir ou voltar para Sorocaba, Rodoviária Barra Funda, Alphaville e aeroporto de Congonhas. Infelizmente não faz o trecho para o aeroporto de Guarulhos, e imagino seja por intervenção da mesma companhia que tirou o maravilhoso trajeto Sorocaba-GRU de circulação. Mas lembre-se, o ponto de apoio é Viracopos.

Por exemplo, Se você mora em Sorocaba e quer economizar utilizando os serviços da Azul para pegar seu voo em Congonhas, você deve pegar o transfer em Sorocaba para Viracopos, e de lá ir para Congonhas. Agora, se você está em Guarulhos e que ir para Sorocaba, você vai ter que ter paciência... pois terá que desembolsar uma grana e pegar o Lirabus até Viracopos, na verdade, o ônibus vai até a rodoviária de Campinas, onde faz-se a baldeação para o aeroporto e, lá, finalmente, pega-se o transfer para Sorocaba. Daí é rezar para os horários coincidam e você não passe o dia todo só para economizar uns trocados.

Espero ter sido útil.

Cada um tem o vizinho que merece



De tão perfeito e bem decorado o ninho,
 achei que alguém tivesse comprado em algum pet shop
 
Eu tive uma família de beija-flores como vizinhos, por duas vezes!

Havia uns dias que notei um beija-flor orbitando pela árvore bem em frente em casa, mas até aí, pensei ser uma "visita" aleatória e normal. Cheguei a comentar com algumas pessoas, meu irmão até sugeriu de eu colocar um frasquinho com água e açúcar para atrair mais, coisa que fui terminantemente contra, se o beija-flor quisesse ficar por ali seria sem nenhum tipo de persuasão!

Quase não acreditei ao ver esta imagem

Esta então foi de tirar o fôlego
Foi quando em um domingo, numa rara tarde que fiquei em casa (tinha visitas), olhei com mais critério e vi o que parecia um ninho. Mas era tão bonito, perfeito e decorado que achei que fosse artificial e que alguém teria colocado ele ali. Com alguma dificuldade saquei meu celular para cima e tirei fotos.

Ainda que embaçadas, pelas fotos deu para ver que havia dois volumes, que deduzi serem dois ovinhos. Nos dias seguintes passei a observar e consegui fotos melhores... até que mamãe beija-flor também notou-me!

Aqui estavam tirando um cochilo
Dê olho para ver que hora mamãe chega


A partir daí, sair de casa para trabalhar passou a ser uma tarefa um pouco arriscada! Todas as vezes em que abria a porta... lá estava mamãe beija-flor voando para cima e para baixo bem à minha frente pronta para me atacar com seu longo bico. Foi então que também comecei a ficar esperta, antes de sair, dava uma olhada pela janela da sala, se ela estivesse no poste ou em frente à árvore, o jeito era tentar sair o mais rápido possível, correr até o carro e sair.

E aqui mal cabiam no ninho

O pequeno núcleo familiar ocorreu em dezembro de 2018 e se repetiu em abril deste ano, e imaginei que lá para agosto se repetisse, mas a árvore estava "pelada", quase sem folhas, e no início de setembro tive outra grata surpresa: eu que não entendo nada de árvores, de repente vi por foto (já que estava em viagem) repleta de delicadas flores, é um ipê branco!

Bom, pessoalmente quando dei uma passada em casa, já não havia mais flores, mas o ninho continua por lá, e a árvore começa a ter folhas novamente. Espero que minha antiga vizinha retorne em breve, pois senti-me honrada por ela ter escolhido exatamente aquele local para botar seus ovos por duas vezes.

Já a árvore, rs, bem,,, eu pareço o pai quando descobre que a filha adolescente está grávida e acha que o mundo vai acabar, quando a plantaram, quase tive uma síncope, não a queria ali prevendo alguns incômodos. Desde que descobri o ninho, passei a defendê-la como posso. Quando mostraram um cronograma de poda, entrei em contato com o síndico, com a prefeitura, coloquei bilhete alertando... só faltei amarrar-me à ela! Mas deu tudo certo, não a podaram, e ela está lá, firme e forte!


No início de setembro, já sem folhas
mas repleta de flores brancas
À esquerda, mamãe beija-flor
pronta para defender seus filhotes
na árvore repleta de folhas e
com bilhete para não podar

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Êita lugar Bonito!!!




Gruta Azul, a imagem que durante anos ficou em minha mente

Eu teria mais duas semanas de férias neste ano e pouquíssimo tempo para decidir o destino. Confesso que antes não era tão desorganizada assim, claro, algumas viagens eram definidas em cima da hora, mas a maioria não. Mas em 2018, vou te contar... por outro lado digo que a boa sorte sempre esteve comigo, pois foram experiências maravilhosas :-)

Duas semanas antes, depois da turbulência de emoções no meu trabalho, achei bilhetes aéreos com preços bem atrativos para Bonito (MS). Sim, aquela lindeza de lugar. Eu sabia que os passeios eram caros, pois há dez anos (ou mais) quando fui para a Chapada Diamantina, a Patrícia tinha ido para Bonito na mesma semana, ao voltarmos de férias, nos encontramos para contarmos sobre nossas viagens e havia lugares bem parecidos, como a Gruta Azul, mas na hora de compararmos os preços dos passeios era de uma disparidade absurda! Acho que por isso mesmo deixei um pouco para lá a ideia de visitar este destino. Mas chegou a hora, e a Serra da Bodoquena que me receba.

O pequeno aeroporto de Bonito, pelo que entendi há
voos comerciais apenas alguns dias na semana
Compradas as passagens, na semana do embarque resolvi pesquisar os passeios e seus preços em Bonito. É tudo tabelado gente! Foi então que me deu até um aperto no coração. Lá, tudo é pago: o passeio, o transporte para o passeio e, claro, o almoço do passeio quase nunca incluso no preço e como todos são em fazendas, propriedades privadas, é proibido levar comida. Pensei: "bom, faço a reserva em um lugar legal, com uma boa piscina, na pior das hipóteses se acabar o dinheiro para mais atrativos fico à beira da piscina lendo um livro ou quem sabe conversando com outros turistas". Foi o que fiz e embarquei para minha nova jornada em outubro.


A escolha foi pelo hostel Che Lagarto, o qual superou minhas expectativas justamente por ser um hostel. Soube mais tarde que a estrutura era boa por ter sido um hotel. E café da manhã e limpeza, estavam melhores do que muitos por aí.

Minha viagem foi bem tranquila já que tem voo direto para Bonito, partindo de Campinas, pela Azul. De entrar no carro do Uber, em frente à casa da minha mãe em Sorocaba, até pisar no hotel em Bonito, foram apenas quatro horas.

Deixei a mochila na recepção até chegar a hora do check in, enquanto isso fui para a agência decidir sobre quais passeios fazer e pegar mais informações para os próximos dias.

As opções são bem diversificadas: passeios em grutas, trilhas, flutuações, balneários, boia cross, contemplação, cavalgadas e até para o Pantanal. Como disse antes, tudo tabelado e nada barato, porém bem estruturado e com segurança. Os maiores riscos que corri foram as picadas dos mosquitos e do sol nas flutuações.


Rua Cel Pilad Rébua
O roteiro ficou assim: balneário Nascente Azul, contemplação da Gruta Azul, trilha na Boca da Onça, boia cross no Parque Ecológico. Mais três flutuações e o critério de escolha foi o seguinte: a primeira no Rio Sucuri por ser a com águas mais transparentes. A segunda a do Aquário Natural, para ver muitos peixes. E a terceira no Rio da Prata, com o percurso mais extenso, águas claras e muitos peixes, considero ser a flutuação mais completa.


Primeiro dia em Bonito e minhas impressões


Na Praça da Liberdade, o monumento em homenagem às piraputangas

Se eu ousasse falar aqui que estava cansada da viagem estaria mentindo, pois essa foi bem curta e tranquila. Decidi os roteiros, acomodei-me e conheci o hostel. Era umas 14h30 quando fui para o centrinho de Bonito, que se resume à rua Coronel Pilad Rébua e poucas ruas paralelas e transversais, caminhada de 20 minutos do hostel à Praça da Liberdade, se duvidar, nem isso.

E toda pequena cidade tem uma igreja central,
aqui é a de de São Pedro Apóstolo, em frente à Praça da Liberdade
Ao contrário de cansada, estava com fome e o primeiro restaurante self-service que vi aberto naquela hora entrei, o Arco Irís. Achei bem fraquinho, mas era o que tinha para aquele momento. Depois fui fazer o reconhecimento local, olhei as lojinhas e os restaurantes que eu poderia ir das próximas vezes. Também fiquei de olho nas sorveterias com produtos de frutas típicas da região: murici, cagaita, guavira...

Meus dias começavam
assim...
Piscina: meu plano B ;-)
Quando voltei para a casa, algumas pessoas ficaram indignadas de eu não ter comido a bendita carne de jacaré. Olha, teve horas que até passou pela minha cabeça dar uma provada, como comprar um pastel com a carne, mas daí acabou que me distraia com outras coisas e passou. Não comi e pronto.



... e costumavam terminar assim!
Cheguei ao hostel deveria ser quase 18h e logo conheci minhas companheiras de quarto, as irmãs Márcia e Marisa. Bem simpáticas logo começamos a conversar. Elas haviam acabado de chegar do passeio Boca da Onça. Todas tomamos banho e fomos jantar. Eu nem estava com tudo aquilo de fome porque tinha almoçado tarde, mas queria experimentar uma refeição típica.

Por recomendação do Juninho, queria conhecer o restaurante Aquário, e as meninas toparam dar uma olhada. Logo do lado de fora, vimos os pratos sendo servidos e nos chamou muito a atenção a apresentação da piraputanga, com umas coisas "espetadas". Pedimos.

Eis minha primeira refeição típica da viagem: piraputanga

Após o jantar, olhamos mais uma vez as lojinhas, paramos em uma sorveteria e voltamos para o hostel. Na verdade essa se tornou a minha rotina ao longo de oito noites, ora jantando no Casarão (na minha opinião o melhor restaurante), zanzando pela rua e praça, tomando um sorvetinho... ah... provei o tão badalado sorvete assado. Hummm, interessante, uma espécie de marshmallow (hehehe, difícil seria eu não gostar dessa combinação). Curti.

Domingo - Balneário Nascente Azul


Vista geral do lago, com destaque para a tirolesa

Os balneários são mini clubes de recreação, perfeitos para famílias com crianças. E eu, estando sozinha, claro não seria meu passeio principal. Para dizer bem a verdade, não estava lá muito empolgada, mas devido à época em que fui a cidade estava cheia e poucas opções para escolher naquele dia, já que toda atração tem um limite diário de visitantes, respirei fundo e fui.

O escolhido foi o Balneário da Nascente Azul. Com lago e várias pontes suspensas para atravessá-lo, tirolesa para cair na água e muitos peixes para dividir espaço. A escolha basicamente foi pela distância, estando mais longe do centro de Bonito, transporte mais caro, menos gente! Acertei.

Se olhar com bastante atenção verá uma das
 piabinhas beliscando minha perna. Elas adoram fazer isso comigo

Ao chegar logo comecei a conversar com Camila, uma baiana que estava com seu filho Matheus, de sete anos. Duas pessoas incríveis que fizeram meu dia superar as expectativas (tá, ok, eram baixas as expectativas para o passeio, mas o papo foi tão agradável e resolvi soltar a criança que existe em mim e os três sempre estavam em alguma atividade). Uma delícia de dia.

É preciso dizer que no mesmo local há duas outras atrações: a tirolesa de 450 metros de extensão e a flutuação. A primeira achei muito cara para o que era e a segunda, sim eu queria fazer flutuação, mas eram só 300 metros, achei melhor investir em outras com percurso maior. Mas os relatos de quem foi nessas atrações foram positivos.

Aproveitei tudo
Uma linda imagem do chão forrado de pétalas

Segunda - Gruta azul

Este é o tipo de lugar imprescindível de um amante da natureza
 ter em seu currículo como visitação

Eu queria ir até a Gruta Azul e posso dizer que foi este o passeio que levou-me até Bonito. Não costumo ver muitas fotos sobre os destinos que escolho. Até leio sobre, mas não gosto de ver fotos e criar falsas expectativas. Mas esta Gruta Azul ficou durante anos na minha cabeça, desde que a vi pela primeira vez.

Ao chegar no ponto de apoio, há uma pequena palestra com instruções sobre o passeio. Em seguida partimos para a trilha plana de uns 300 metros e outros 300 degraus. Escadaria meio rústica, mas com apoio para chegar à gruta. Tudo cronometrado, pois são vários grupos por volta de 20 pessoas. E os guias vão contando a história de como surgiu e tombada em 1978 como patrimônio histórico.
A escadaria tirei de letra

É simplesmente linda! E algo que encanta aos olhos de quem a vê e, lá embaixo, dentro de uma gruta aquele azul turquesa de beleza indescritível deixou-me sem palavras.

Uma pena não podermos entrar em águas tão claras, mas o guia explicou que para preservação essa foi a única alternativa encontrada. Ali foram encontrados fósseis de animais pré-históricos como do tigre dente de sabre e a preguiça gigante, mas o que reina atualmente no local foi a descoberta feita no início deste século: um mini camarão de água doce que, acredita-se existir apenas ali em todo o planeta.

Terça - Flutuação Rio Sucuri

E o que é flutuação? Oras, flutuar é só colocar no rosto a máscara com o snorkel, vestir um colete (que no meu caso só sei nadar em piscina) e ficar lá, de cara para baixo observando o que rola embaixo d'água. Já fiz diversas vezes isso, nos famosos passeios de escuna (Cabo Frio/RJ, Florianópolis/SP, Porto Seguro/BA e Fernando de Noronha/PE), ou seja, embora seja sempre um atrativo excitante, achei que não seria uma novidade na minha vida... mas foi!

Em Bonito as águas são bem claras, sem poluição e com o solo de rochas calcárias que ajudam a transparecer mais ainda. No caso dessas flutuações, o visitante inicia o trecho em pequenos grupos com nove pessoas, orientados por um guia (que faz uma explicação e adaptação em piscina para que todos se acostumem) em algum trecho do rio e a própria força da água faz com que o curso do rio leve nossos corpos, esforço mínimo de poucas braçadas.

A sensação é única. No início confesso que foi difícil me concentrar pois estava preocupada em não respirar pelo nariz e não morder na ponta do snorkel, o que poderia cansar demais as mandíbulas. Mas o encantamento de flutuar em em águas tão transparentes em companhia de lindos peixinhos foi maior e em pouco tempo relaxei e fui.

Escolhi três flutuações e o critério foi o seguinte: a primeira no Rio Sucuri por ser considerada a de águas mais límpidas, saindo da nascente e de uma cor verde claro encantador. A segunda a do Aquário Natural, em que as águas não são tão claras, mas ainda assim com visibilidade muito boa e uma quantidade absurda de peixes, sim flutuei entre um e outro cardume. E a terceira no Rio da Prata, com o percurso mais extenso, com águas muito claras e vários peixes. Mais uma vez , estrelinha para mim, acertei em cheio.

Ok, chegar à fazenda, aulinha na piscina, fazer uma pequena caminhada e enfim, flutuar.

Quarta - A trilha Boca da Onça


Eis aqui a cachoeira mais alta do Estado do MS: Boca da Onça.
 Alguém consegue ver a imagem da felina?


A lindíssima Cachoeira do Jaboti.
Gostaria de ter visto algum

Super indicado pelas irmãs que se hospedaram comigo, realmente, é um passeio imperdível para quem gosta de mato e cachoeira. A trilha em si não exige tanto de uma pessoa que de vez em quando faz uma caminhada por aí, o que pega mesmo é a escadaria de 886 degraus! E aí meu amigo, será da sua sorte ter que encará-la na ida ou na volta. Dei sorte de descer no início, mas confesso que fiquei com pena de quem teve que fazê-la ao final, já meio cansados - rs. Bem, além de trilha e escadaria tem as lindas e refrescantes cachoeiras, ao todo nove, porém, apenas quatro para banhos.

Cachoeira da Anta, mais um ponto para contemplar

Este foi o passeio onde obtive mais informações sobre a região, com as paradinhas e explicações do guia sobre a fauna e flora, frutos típicos e até indicações de onde saborear os pratos da Serra da Bodoquena. E por ser uma região em que o solo tem formação calcária sob a vegetação, me fez pensar sobre o quanto toda aquela estrutura aguentaria, lembrei até da Gruta Azul, que de repente pode sofrer algum tipo de erosão maior. E veio aquele momento egoísta "ainda bem que estou vivenciando tudo isso enquanto ainda está inteira".

Cachoeira do Fantasma, embora o guia tenha garantido
 jamais ter sido visto algum espectro por ali


A cachoeira que dá nome ao passeio tem 156 metros de altura e é a mais alta do Estado do Mato Grosso do Sul. As pessoas dizem que veem a figura de uma onça com a boca aberta, eu fiquei olhando um tempinho tentando achar, como não vi, achei mais interessante o banho, cronometrado, claro. Depois seguimos mais trilha e paradas para contemplação. O banho na Cachoeira da Lontra foi
Borboletas brancas me acompanharam quase todo o passeio
 o que mais gostei por ser bem aconchegante, mas necessário vestir o colete, pois perto da pedra são três metros de profundidade. Por último a cachoeira e poço do Buraco do Macaco, nove metro de queda. Bem legal também, passamos por "um pequeno túnel" embaixo das pedras para acessar um piscinão com vista, com direito a uma cordinha para nos guiar. Senti que a maioria dos turistas curtiram mais esse último banho. De maneira geral achei bem agradável a temperatura das águas durante o passeio, principalmente por serem cachoeiras esperava que fossem frias, não foram.

Minha cachoeira preferida do passeio: Poço da Lontra

Depois de mais trilha e a volta para o receptivo e o almoço. Dos almoços nas fazendas, acho que este foi o melhor. Pelo menos foi o que comi mais - rs - mas daí também veio aquela dúvida: "foi o melhor mesmo ou eu é quem estava com mais fome e ficou delicioso?"


A foto clássica logo no início do passeio
 (ou do final, depende da sua sorte -rs)
Se tivesse mais tempo, certamente iria para a piscina, pois ali tem duas à disposição dos visitantes, mas estava com uma leseira e pensei nos conselhos de mamis "não entrar na água de estômago cheio". Voltei para o hostel muuuuiiito cansada e feliz :-)

Nove metros de queda no Buraco do Macaco

Quinta - Flutuação Aquário Natural

Os cardumes chegam a se confundir

E eu que já tinha ficado encantada com a primeira flutuação, acordei eufórica e ansiosa tal qual uma criança sabendo que teria um passeio incrível no parque de diversões!!! E como foi incrível esse passeio, peixes por todo o lado.

Como da primeira vez, fizemos um pequeno treinamento na piscina, depois uma trilha. Ao chegar no ponto de partida, infelizmente um casal resolveu não fazer a flutuação. Fiquei pensando na intensidade da fobia dessas pessoas, pois haviam feito o treinamento e teoricamente, não haveria motivos para entrar em desespero dentro do rio. Bem, posso dizer que curti o passeio por todos eles.

Pena que o trajeto seja tão curto e dá aquela sensação de "quero muuuiiito mais", mas não tem como, né. Então fizemos mais um pouco de trilha para chegarmos a um ponto onde existe uma tirolesa... bem... mesmo com medinho... lá fui eu cair naquela água que estava longe de ser transparente - rs - mas fui e adorei.

E no meio do caminho havia um jacaré!
Na trilha de volta ainda pudemos ver pegadas de anta e um jacaré no seu banho de sol diário. No receptivo, comprei meu almoço e o fiz em companhia do casal Adriana e Marcelo e da CSI Paula.


Sexta - Boia Cross e muito tirolesa no Parque Ecológico


O lago com a tirolesa não tinha muitos turistas, aproveitei

O orçamento estava na ponta do lápis, então, apesar de ser um passeio de curta duração, naquele dia, optei por fazer apenas o boia-cross, no Parque Ecológico. E valeu muito à pena, imaginem, tinha tirolesa... u-huuu!!!

A minha classificação de aventura desse boia-cross é: tranquilíssimo. Gente, não dá nem para ter medo: nove turistas, dois guias, cordas de apoio em vários pontos e rio seguindo o fluxo em câmera lenta... uma delícia. Tinha um garotinho de uns seis ou sete anos, o pai era um rapaz de quase dois metros de altura e sarado, houve uma negociação para aprovar a descida do menino, mas o pai garantiu que o garoto estava acostumado com rios desde meses de idade e também sabia nadar, então foram. Juro, quem deu trabalho foi o pai, que de tão grande, mal coube na boia e se enroscava ou levava caldos a torto e a direita, enquanto o garoto só curtia.

Recomendo.


Após o meu bloqueio inicial da tirolesa no balneário que tive um dia todo para me esbaldar e fiz apenas dois saltos com muito incentivo da Camila, neste eu tirei o atraso, tanto que quase tiveram que me tirar a força do lago - rs - tantas foram as vezes que saltei, só que me cansei também, pois das três tirolesas da viagem, esta foi a mais longa e nadar no lago é "pesado". Posso garantir que a refeição naquele dia foi reforçada!

Sábado - Flutuação Rio da Prata e araras

Quase impossível não entrar em transe com
uma experiência dessas. Foto da CSI Paula

Nem é preciso dizer que estava apaixonada pela flutuação, a expectativa era alta  e não houve decepção nenhuma, só superação.

Por fazer parte do mesmo compartilhamento de van, a flutuação do Rio da Prata coincide com o do Buraco das Araras. Assim, o transporte faz a primeira parada para ver as araras para depois seguir para a fazenda da flutuação.

Sim, amo araras, mas tinha informações de quem tinha feito este passeio e as pessoas não se mostraram empolgadas. Contando minhas moedas, foi mais um passeio que passei a vez. Aguardei os que optaram por este passeio em um quiosque, próximo à recepção. Adorei ficar ali, tive a visita de um tatu, um teiu e várias lindas aves, além da prosa com o sr. Modesto, o dono da fazenda - rs.

Para minha surpresa, ao chegar à fazenda da flutuação, qual não foi a minha surpresa ao ser recepcionada por... araras, voando para lá e para cá, pousando nas árvores. Pronto, do meu jeito, também fiz meu passeio de contemplação de aves!!! Quase uma ornitóloga.

Ele ficou mais de meia hora voando a minha volta...

... até encorajar-se a comer na palma da minha mão

Um simpático tatu destemido

Esta é uma seriema

E a arara só me observando

Enquanto o touro Darin olha desconfiado

Neste passeio não houve o treinamento na piscina, para mim ok, mas acho que para aqueles cujo passeio era novidade, seria importante a adaptação. Ok, explicação sobre o passeio, troca de roupas, chuveirada e embarcar num pau de arara rumo à trilha.

A trilha em si é bem tranquila, plana e sem contratempos.

Já na flutuação, estava quase em transe, curtindo meu passeio, agradecendo ao Universo por toda a viagem, por todas as minhas experiências e, em especial, àquele momento... quando de repente o guia aponta para a margem do rio... distância de no máximo quatro metros... cena de "Largados & Pelados"... um jacaré com seu corpo inteiro dentro da água e só meia cabeça para fora. Com a água bem clarinha, estava bem ali, ao meu lado, no seu habitat natural, livre e pertinho de mim. Que emoção!

Além de flutuar ao lado de um jacaré, a outra experiência inédita neste passeio foi "entrar" em um olho 'água. Claro que com a ajuda do guia, os tímpanos quase explodiram, mas achei o máximo mergulhar aquilo. 

O único arrependimento que tive foi de não ter tido a vergonha na cara de ter comprado uma go pró. Deixei de registrar vários momentos aquáticos por conta disso. De resto. Amei tudo.